AFP PHOTO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / CHIP SOMODEVILLA
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Protagonista do escândalo Irã-Contras chefiará lobby de armas americano

NRA será dirigida pelo ex-coronel que liderou esquema de venda ilegal de armas ao Irã, nos anos 80

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 19h20

WASHINGTON - Oliver North, figura central do escândalo de venda de armas ao Irã, nos anos 80, durante o mandato de Ronald Reagan, será o próximo presidente da Associação Nacional do Rifle (NRA), o lobby de armas dos EUA. A NRA declarou nesta segunda-feira, 7, que seu conselho aprovou a candidatura de North e ele tomará posse nas próximas semanas.

O atual presidente, Pete Brownell, optou por não tentar um segundo mandato. O vice-presidente executivo e CEO da NRA, Wayne LaPierre, deu as boas-vindas à escolha por North. “Oliver North é um lendário militante pela liberdade dos EUA, um comunicador talentoso e líder habilidoso”, disse. “Nos tempos atuais, não consigo pensar em ninguém melhor para ser nosso presidente.”

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North, de 74 anos, é autor de muitos best-sellers e trabalhou como comentarista da Fox News desde que se aposentou do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA como coronel.

Enquanto trabalhava no Conselho de Segurança Nacional, nos anos 80, North foi protagonista do caso de venda de armas ao Irã, que sofria um embargo americano. O escândalo ficou conhecido como Irã-Contras.

Na ocasião, o governo de Ronald Reagan esperava que a venda de armas facilitasse a libertação de americanos mantidos como reféns no Líbano. Os lucros da negociação foram enviados para financiar os contrarrevolucionários (Contras) que lutavam contra os sandinistas na Nicarágua.

Em 1989, North foi condenado por três acusações, mas a decisão foi posteriormente anulada. Sua nomeação para comandar a NRA ocorre em um momento em que um movimento de estudantes pressiona por leis mais rígidas sobre a venda de armas de fogo nos EUA. 

Massacre. A campanha pelo controle de armas foi lançada por estudantes de uma escola na Flórida, após o massacre de 17 pessoas a tiros por um ex-aluno, em 14 de fevereiro. Em seu discurso na reunião anual da NRA, na semana passada, o presidente Donald Trump rejeitou leis mais duras para controlar o comércio de armas. / AFP

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