AFP / JORDAN PERDOMO
AFP / JORDAN PERDOMO

Protesto contra fraude eleitoral mata 1 em Honduras

Violência começou após órgão eleitoral anunciar que presidente Hernández lidera apuração

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 21h18

TEGUCIGALPA - Manifestações contra supostas fraudes na eleição presidencial de Honduras deixaram nesta sexta-feira 1 morto e 20 feridos. A insatisfação é contra o presidente Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional (PN), que na segunda-feira aparecia atrás do candidato opositor Salvador Nasralla na contagem oficial dos votos. 

No dia seguinte, autoridades eleitorais deixaram de divulgar os resultados da apuração e, quando os boletins voltaram a ser informados, Hernández havia assumido a liderança.

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Nesta sexta-feira, com 95% das urnas contabilizadas, Hernández, candidato conservador, tinha 43% e o esquerdista Nasralla, 41,5% – uma diferença de 46 mil votos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), David Matamoros, disse que ainda faltava contar 1.031 atas eleitorais – embora ninguém saiba quantos votos existam em cada uma delas. “Não faremos mais nenhum anúncio até que a apuração tenha acabado”, disse Matamoros, que lamentou a violência.

Os dois candidatos se consideram vencedores e ninguém está disposto a admitir a derrota. O nome da coalizão de Nasralla é Aliança de Oposição contra a Ditadura. Assim que foi divulgada a virada na contagem oficial, ele pediu a seus partidários que fossem para as ruas protestar. 

Seu grupo político reclama de três seções eleitorais que aparecem na apuração com um comparecimento extremamente elevado de eleitores. Nasralla exige uma recontagem, mas o TSE ainda não se pronunciou. 

O governo pediu calma à população, mas a polícia reprimiu com violência as manifestações. Médicos de hospitais de Tegucigalpa disseram ter tratado de várias pessoas com ferimentos de bala. Na capital e em San Pedro Sula há registro de saques.

Fraude. Na semana passada, uma gravação obtida pela revista britânica The Economist sugeria que o partido do presidente teria realizado uma reunião para ensinar técnicas de como fraudar a eleição. O áudio de duas horas foi enviado por um membro do PN, de Hernández.

Na gravação, uma mulher sugere convencer os mesários a deixar os eleitores do PN votar mais de uma vez. “Se você me reconhecer, me deixe entrar, não pinte o meu dedo e eu sairei com minha boca fechada”, disse a coordenadora da reunião – em Honduras, cada eleitor tem o dedo manchado com tinta não removível que evita que uma pessoa vote novamente. / REUTERS

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