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Putin descarta uso imediato da força na Crimeia e denuncia golpe na Ucrânia

O Estado de S. Paulo

04 Março 2014 | 09h 09

O presidente russo acusou o Ocidente de incentivar os protestos que derrubaram Yanukovych

(Atualizada às 10h37) O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira, 04, que houve um "golpe inconstitucional" na Ucrânia e que o líder deposto Viktor Yanukovich ainda é o comandante legítimo do país, apesar de ter deixado o poder. Ele também afirmo que não há necessidade de usar a força na região da Crimeia, no sul da Ucrânia, no momento, mas que a Rússia se reserva o direito de fazê-lo como "último recurso".

Ainda de acordo com o presidente russo, "forças locais de autodefesa"foram responsáveis por tomarem prédios oficiais. Putin também afirmou em entrevista à imprensa que a Rússia não tem interesse em estimular sentimentos separatistas na Crimeia.

"Qual pode ser o motivo para o uso das forças armadas? Certamente, um caso extremo", declarou o chefe do Kremlin durante um encontro com um grupo de jornalistas divulgado pela televisão estatal. "Se tomarmos essa decisão, de empregar as forças armadas, será legítima."

Putin reconheceu, porém, que Yanukovych não tem futuro político, e disse que a Rússia deu abrigo a ele para salvar sua vida. O presidente russo acusou o Ocidente de incentivar os protestos que derrubaram Yanukovych.

As manifestações na Ucrânia tiveram início no ano passado, depois que o então presidente desistiu de um pacto com a União Europeia em favor de laços mais estreitos com Moscou. Segundo Putin, o Ocidente incentivou um golpe e levou a Ucrânia à anarquia.

Putin também rechaçou as críticas do Ocidente à atuação da Rússia na Ucrânia, lembrando que houve dúvidas sobre a legitimidade das ações de países ocidentais no Iraque, no Afeganistão e na Líbia. Ele declarou que quaisquer sanções econômicas que sejam impostas ao país terão efeitos negativos também no Ocidente. / AP , REUTERS e EFE