EFE/Alexei Druzhinin / Sputnik / Kre
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Putin diz que relação entre EUA e Rússia piorou desde posse de Trump

Em entrevista à emissora de TV transmitida nesta quarta, presidente russo afirmou que 'confiança a nível de trabalho, especialmente no nível militar' se deteriorou; porta-voz da chancelaria russa rejeita ultimato ao país dado pelo secretário de Estado americano

O Estado de S.Paulo

12 Abril 2017 | 08h45

MOSCOU - O nível de confiança entre Moscou e Washington piorou desde que Donald Trump tomou posse em janeiro como presidente dos Estados Unidos, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em entrevista transmitida nesta quarta-feira, 12.

Perguntado sobre a relação desde que Trump assumiu a Presidência, Putin disse, de acordo com uma transcrição da entrevista divulgada pelo Kremlin: "É possível dizer que o nível de confiança a nível de trabalho, especialmente no nível militar, não melhorou e, pelo contrário, se deteriorou".

O chefe do Kremlin voltou a denunciar que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "está imersa em um paradigma de confronto entre os blocos" próprio da Guerra Fria, apesar de "ter superado essa situação".

"As marcas da Guerra Fria foram muito notadas na Otan. Se trata de uma organização muito ideológica, apesar de todas as declarações (no âmbito da Aliança) prestes a ser transformado nas condições atuais", afirmou.

Questionado sobre as acusações de que o governo da Síria seria responsável pelo ataque com armas químicas na Província de Idlib, Putin disse que Damasco já tinha entregado seu estoque de armas químicas.

Ele disse acreditar em duas principais explicações para o incidente na província de Idlib: que os ataques aéreos do governo da Síria acertaram um estoque de armas químicas de rebeldes, liberando o gás venenoso, ou que o incidente foi planejado para desacreditar o governo sírio.

A Rússia suspendeu a cooperação militar com os EUA na Síria, depois do ataque contra uma base aérea síria ordenado por Trump, em represália pelo suposto uso de armas químicas contra a população civil.

Ultimato. Moscou também afirmou nesta quarta que não tem sentido dar um ultimato à Rússia, em resposta a Tillerson, que exigiu ao Kremlin que deixe de apoiar o regime de Damasco. "Não vejo isso como um ultimato. Acredito que faz tempo que todo mundo entendeu que não tem sentido vir a nosso país com um ultimato", disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova.

Tillerson, que aterrissou na terça-feira em Moscou procedente da reunião de ministros de Exteriores do G-7 realizada em Roma, manterá nesta quarta uma reunião com seu colega russo, Serguei Lavrov, na qual centrará sua atenção sobre a Síria. Também pode ocorrer uma entrevista com o presidente russo, Vladimir Putin, possibilidade que, apesar de não estar na agenda, não foi descartada pelo Kremlin.

Tillerson, o primeiro alto funcionário dos EUA que visita a Rússia desde a chegada ao poder de Donald Trump, pediu a Putin que escolha entre o regime sírio de Bashar Assad e uma aliança com Ocidente, em uma declaração publicada pelo site do Departamento de Estado americano.

"Essa é uma aliança a longo prazo que serve aos interesses da Rússia ou prefere se unir aos Estados Unidos, junto com outros países ocidentais e do Oriente Médio, para resolver a crise em Síria?", disse antes de viajar rumo à Rússia. / REUTERS e EFE

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