AFP PHOTO / SPUTNIK / Mikhail KLIMENTYEV
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Putin nega ter interferido em eleições americanas de 2016, diz Trump

Após um breve encontro na Apec, líder russo elogiou o presidente americano e o descreveu como ‘um homem educado e de trato agradável’; segundo o Kremlin, os dois países concordaram que não há uma ‘solução militar’ possível para a guerra na Síria

O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2017 | 09h31
Atualizado 11 Novembro 2017 | 16h17

HANÓI - O presidente americano, Donald Trump, disse neste sábado, 11, que seu colega russo, Vladimir Putin, lhe garantiu que "não se intrometeu" na última disputa pela Casa Branca, em 2016, a qual levou o magnata nova-iorquino ao poder.

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"Disse a mim que, de modo algum, se intrometeu nas nossas eleições", declarou Trump aos jornalistas que o acompanhavam no avião presidencial, Air Force One, rumo a Hanói. O líder americano ainda disse à imprensa ter "uma boa relação" com Putin, com quem teve "duas ou três discussões muito breves", à margem da cúpula.

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"Cada vez que eu o vejo, ele me diz que não fez isso, e eu realmente acho que, quando me diz isso, é o que pensa", completou. "Acho que se sentiu insultado" com as acusações, afirmou Trump. "E isso não é bom para o nosso país", insistiu o republicano, ressaltando que ter boas relações com Moscou pode permitir avançar em temas cruciais como Coreia do Norte.

Também neste sábado, Putin considerou que as acusações de ingerência russa na eleição presidencial americana são "fantasias". "Tudo o que está ligado ao suposto caso de ingerência russa nos EUA está ligado à luta política interna desse país", declarou o líder russo em Danang, onde participa do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

"São fantasias", minimizou ele em entrevista coletiva. "Não sei de nada, decididamente nada", insistiu Putin.

Na mesma entrevista, ele denunciou o "ataque contra a liberdade de expressão" e prometeu uma "resposta", ao comentar o fato de a rede de televisão RT ter de se registrar como "agente estrangeiro" nos EUA.

"O ataque contra nossos veículos é um ataque contra a liberdade de expressão", declarou Putin. "Devemos responder e será uma resposta similar.”

Com frequência, as autoridades americanas acusam a RT e a agência de notícias Sputink, controladas pelo governo russo, de divulgarem propaganda do Kremlin, e suspeita-se que tenham tentado influenciar a campanha eleitoral de 2016.

Na quinta-feira 9, a RT anunciou que se registrará como "agente estrangeiro" nos EUA, em virtude da lei Fara (Foreign Agents Registration Act), que obriga qualquer empresa que represente um país ou uma organização estrangeira a prestar contas às autoridades americanas regularmente sobre suas relações com esse Estado, ou com essa instituição. Se não o fizerem, podem ter suas contas congeladas nos EUA.

"Não há qualquer prova que confirme uma ingerência dos nossos veículos na campanha eleitoral" americana, afirmou Putin. "Os meios não fazem mais do que dar seu ponto de vista (...). Pode-se contestar este ponto de vista, mas não ordenando a dissolução desses meios, ou criando condições que impossibilitem sua atividade", afirmou o presidente russo, acusando Washington de ter "escolhido a opção da dissolução".

A relação de Trump com a Rússia tem sido conturbada desde sua chegada ao poder, e vários de seus colaboradores de campanha mais próximos estão sendo investigados por suspeita de conluio com o Kremlin.

Impressões

Em Danang, uma cidade costeira do centro do Vietnã, Trump e Putin tiveram três encontros breves, nos quais apertaram as mãos e trocaram palavras cordiais. Ainda neste sábado, Putin elogiou Trump, descrevendo-o como "um homem educado e de trato agradável".

"O comportamento do presidente americano é extremamente correto e gentil", comentou Putin na mesma entrevista. Trump "é um homem educado e de trato agradável", insistiu.

Trump e Putin conversaram um pouco durante a cúpula, mas não tiveram um encontro reservado. “Falamos de todos os temas de que queríamos tratar", resumiu. "As relações entre Rússia e EUA ainda não saíram, porém, da crise", admitiu ele, acrescentando que "estamos dispostos a virar a página e seguir adiante". "Queremos ter relações harmoniosas com os EUA.”

Síria

Trump e Putin estão de acordo quanto ao fato de não haver uma "solução militar" possível para a guerra na Síria, anunciou o Kremlin, citando um comunicado conjunto.

"Os presidentes estão de acordo em dizer que o conflito na Síria não tem solução militar" e confirmaram sua "determinação para vencer o Estado Islâmico (EI)", segundo o site do Kremlin. Conforme Moscou, o comunicado conjunto foi aprovado em paralelo à cúpula da Apec.

“Os presidentes confirmaram seu compromisso com a soberania da Síria, sua independência, sua unidade, sua integridade territorial e sua natureza secular", e pediram a todas as partes que participem das discussões promovidas pela ONU em Genebra, acrescentou o Kremlin.

Ainda segundo o governo russo, "os presidentes também trataram da necessidade de reduzir o sofrimento humano na Síria e pedem a todos os países membros da ONU que aumentem sua contribuição para cobrir as necessidades humanitárias nos próximos meses".

Desde 2015, a Rússia realiza uma campanha de bombardeios aéreos na Síria, em apoio ao presidente Bashar Assad, o que provocou uma virada no conflito a favor do governo.

Segundo a declaração conjunta, porém, os dois países "estão satisfeitos" com os esforços feitos para evitar incidentes entre suas respectivas forças na Síria, "o que fez aumentar de forma considerável as perdas do EI no campo de batalha nesses últimos meses". / AFP

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