AFP PHOTO/KCNA VIA KNS
AFP PHOTO/KCNA VIA KNS

Pyongyang adverte que bloqueio marítimo seria uma 'declaração de guerra'

Artigo publicado em jornal local alerta EUA sobre um 'resposta imediata' caso sanção seja colocada em prática; secretário da ONU diz que um 'erro de cálculo' pode desencadear um conflito

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 03h20

SEUL - A Coreia do Norte advertiu neste domingo, 10, que um bloqueio marítimo ao país seria "uma declaração de guerra", em alusão a uma das novas sanções que os Estados Unidos planejam impor a Pyongyang depois do último teste de míssil realizado pelo país asiático.

"Os movimentos dos Estados Unidos para impor um bloqueio marítimo nunca podem ser tolerados, porque constituem uma clara violação da soberania e da dignidade de um Estado independente", observou um comentário publicado neste domingo no jornal local Rodong Sinmun.

++ Coreia do Norte diz que míssil testado é capaz de atingir EUA

Washington "tenta, abertamente, impor um bloqueio marítimo contra a República Popular Democrática da Coreia (nome oficial do país) para estrangular sua economia em tempos de paz", o que seria um plano aplicado "há décadas" para "aumentar o isolamento" de Pyongyang, diz o artigo.

O comentário, que também foi divulgado pela agência estatal KCNA, aponta que tratados internacionais estabelecem que um bloqueio econômico de um país em tempos de paz constitui "um ato ilegal e considerado como invasão".

++ Com míssil norte-coreano, mundo fica 'perto da guerra', diz embaixadora americana na ONU

As novas sanções que Washington promovem, junto com os exercícios militares realizados no começo do mês com a Coreia do Sul, supõem "adomináveis atos criminais dirigidos a empurrar a situação atual até um fase catastrófica e incontrolável de guerra", destaca Pyongyang.

O artigo adverte o presidente americano Donald Trump e "seu bando" que "o menor movimento para colocar em prática um bloqueio marítimo será recebido com uma resposta imediata e implacável de autodefesa por parte da Coreia do Norte".

No dia 28 de novembro, o país lançou um míssil balístico, o primeiro desde setembro e que foi considerado o mais poderoso até o momento. O teste deixaria Pyongyang cada vez mais perto de alcançar o território dos Estados Unidos com armas nucleares. Em contrapartida, Trump defendeu a aplicação de novas sanções contra o Norte, que poderiam incluir um bloqueio marítimo, segundo o secretário de Estado Rex Tillerson.

'Cálculo errado'. Jeffrey Feltman, subsecretário de Assuntos Políticos da Organização das Nações Unidas (ONU), visitou a Coreia do Norte por quatro dias, menos de uma semana depois do teste balístico. Após a viagem, o enviado especial disse neste sábado, 9, que existe um grave risco de um erro de cálculo desencadear um conflito com a Coreia do Norte.

Em uma declaração da ONU, Feltman disse que a comunidade internacional, alarmada por crescentes tensões, está comprometida em solucionar de forma pacífica a situação da Península da Coreia. /EFE e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.