JOSE PATRICIO/ESTADÃO
JOSE PATRICIO/ESTADÃO

40 mil venezuelanos já pediram asilo no exterior, diz ONU

Apenas em 2016, 27 mil pessoas buscaram proteção em outros países da América Latina; Roraima tem sido uma das principais rotas de fuga

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2017 | 07h56
Atualizado 21 Abril 2017 | 09h01

GENEBRA – A crise na Venezuela tem levado um número cada vez maior de venezuelanos a buscar refúgio fora do país. Dados divulgados nesta sexta-feira, 21, pelo Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados indicam que, entre 2011 e 2016, mais de 40 mil venezuelanos pediram oficialmente asilo no exterior, principalmente em países da América Latina. O número total pode ser ainda maior, considerando aqueles que não solicitaram uma proteção legal no exterior e simplesmente optaram por migrar de forma irregular. 

O que surpreende a ONU é que esse número vem registrando uma alta significativa. Dos 40 mil que saíram do país em 5 anos, 27 mil pediram asilo apenas em 2016. De acordo com o porta-voz da ONU para refugiados, Babar Baloch, alguns dos fluxos de pessoas já têm tido um impacto importante em alguns países do Caribe. “O efeito tem sido desproporcional diante da baixa capacidade de recepção”, disse. 

Segundo ele, esses venezuelanos estão tentando regularizar suas situações, buscando asilo, vistos de trabalho e outras formas de permanência. “Alguns países como Peru e Brasil deram autorização de residência para essas pessoas”, destacou. 

Joel Millman, porta-voz da Organização Internacional de Migrações (OIM), confirma que a entidade tem recebido informações de que governos latino-americanos estão se preparando para um eventual cenário de fluxo ainda maior de refugiados ou migrantes da Venezuela. “Os governos da região estão se organizando para ver como vão lidar com essa situação”, disse. De acordo com Millman, o primeiro registro de um venezuelano morto na fronteira entre o México e os EUA ocorreu no fim de 2016. A vítima morreu afogada no Rio Bravo. 

Um número relevante de refugiados e migrantes também é registrado na República Dominicana, país onde a entrada de venezuelanos é livre. 

Na semana passada, a entidade Human Rights Watch publicou um relatório apontando como a crise na Venezuela tem tido um impacto além de suas fronteiras. “O Estado de Roraima, porta de entrada dos venezuelanos que fogem da fome e da escassez de medicamentos básicos, lida com dificuldades do repentino fluxo de pessoas: o sistema público de saúde está ainda mais sobrecarregado e muitos venezuelanos vivem nas ruas da capital Boa Vista”, alertou. O documento também revelou problemas no sistema de solicitação de refúgio do Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.