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Polícia Federal da Bélgica/AFP

Quatro terroristas seguem foragidos, dizem polícias da França e da Bélgica

Prisão de Salah Abdeslam, um dos autores dos atentados de 13 de novembro, já faz a investigação avançar; traços de DNA confirmaram a identidade do provável fabricante dos coletes de explosivos usados por suicidas

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Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS,
O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 05h00

Três dias depois da prisão de Salah Abdeslam, único sobrevivente dentre os terroristas que atacaram Paris, as polícias da França e da Bélgica, com a cooperação da Europol, identificaram mais um provável membro da rede de jihadistas do Estado Islâmico que perpetrou os atentados de 13 de novembro. A descoberta foi feita a partir da coleta de amostras de DNA que coincidem com as de Najim Laarchaoui, suspeito de ser o fabricante dos coletes de explosivos usado pelos suicidas. Seu nome amplia para quatro os suspeitos ainda foragidos.

As informações foram reveladas pelo Ministério Público Federal belga, que continua a desbaratar, ao lado das autoridades francesas, as células terroristas que participaram dos atentados. Os traços de Laarchaoui foram encontrados em uma casa alugada na cidade de Auvelais, assim como em um apartamento em Scharbeek, dois "aparelhos" usados por terroristas que deram suporte aos ataques. O DNA localizado bate com o recolhido dos explosivos utilizados na casa de shows Bataclan, em Paris, e no Stade de France, em Saint-Denis, conforme a rede de TV belga RTBF.

Com isso as polícias da Bélgica e da França incluíram o nome de Laarchaoui, de 24 anos, até aqui o jovem era conhecido pela identidade falsa de Soufiane Kayal, entre os procurados pela Europol. Os investigadores já confirmaram que ele passou por campos de treinamento do grupo terrorista Estado Islâmico na Síria em 2013. 

Outro terrorista procurado é o belga-marroquino Mohamed Abrini, 31 anos, filmado em 11 de novembro – dois dias antes do ataque – ao lado de Salah Abdeslam, dirigindo um Renault Clio que seria utilizado nos atentados. Abrini já havia sido julgado à revelia e condenado a 15 anos de prisão por recrutamento de combatentes para as hostes do Estado Islâmico. Laarchaoui e Abrini são considerados hoje os foragidos mais procurados da Europa. 

Além dos dois, mandados de prisão foram emitidos contra os irmãos Khalid e Ibrahim El Bakraoui, que estariam ao lado de Abdeslam no apartamento abordado pela polícia na terça-feira passada em Forest, periferia de Bruxelas, onde um terrorista foi morto e quatro policiais ficaram feridos. Khalid, 27 anos, já condenado por roubos, é suspeito de ter alugado com uma identidade um apartamento usado pelo grupo antes dos atentados. Ibrahim também é suspeito e tem antecedentes por assalto em 2010, quando atirou na polícia usando um fuzil AK-47.

Os quatro formariam uma célula terrorista ligada ao Estado Islâmico e que teria prestado apoio logístico ao grupo principal, integrado por Abdeslam e organizado por Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor dos atentados. Na terça-feira um quinto foragido, Mohamed Belkaid, também conhecido como Samir Bouzid, foi abatido pela polícia. Ele era suspeito de ter mantido contato telefônico constante com o grupo de 10 terroristas que atacou Paris em 13 de novembro.

Belkaid seria o destinatário da mensagem "Vai começar", enviada às 21h42 da noite dos ataques, instantes antes da invasão do Bataclan. Além disso, seria o provável autor de um depósito bancário de € 750 para Hasna Ait Boulahcen, prima de Abaaoud e cúmplice do grupo, à medida que os acobertou na cidade de Saint-Denis, periferia da capital, nos três dias seguintes.

Para os procuradores de Bruxelas, Frédéric Van Leeuw, e de Paris, François Molins, as descobertas comprovam que a célula terrorista que atacou a capital francesa tinha ramificações ainda maiores do que se imaginava. "A investigação não acabou. Há outros indivíduos que precisam ser localizados e presos", advertiu Van Leeuw. "Nós temos várias peças e, nos últimos tempos, várias delas foram encaixadas. Mas ainda estamos longe de terminar o quebra-cabeças."

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