ANDREI NETTO/ESTADAO
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Questão separatista divide catalães às vésperas de eleição

Votação deve ter recorde de participação, e secessionista preso é um dos favoritos, ao lado de jovem unionista

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2017 | 21h49

A Catalunha encerrou nesta terça-feira, dia 19, 50 dias de campanha para a eleição regional com um empate técnico entre separatistas e unionistas, segundo pesquisas. Dois meses após o auge da crise provocada pelo choque entre o governador Carles Puigdemont e o premiê espanhol, Mariano Rajoy, os catalães são esperados em massa para decidir o futuro da região. 

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A votação antecipada por Rajoy ganhou ares de plebiscito sobre a independência. Como era previsto, em razão da divisão da sociedade catalã, o resultado será apertado. Os favoritos são a deputada Ines Arrimadas, líder do Ciudadanos (centro-direita), unionista, e Oriol Junqueras, da Esquerda Republicana Catalã (ERC), ex-vice-governador – que mesmo preso por ordem da Justiça espanhola e impossibilitado de liderar a campanha é hoje o principal líder separatista.

De acordo com pesquisas, o Ciudadanos está na frente com 23,3% das intenções de votos. Bem perto vem a ERC, que teria 22,2%. A sondagem do jornal El País tem uma margem de erro de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. Teoricamente, portanto, até Carles Puigdemont, que fez campanha à distância, direto de Bruxelas, onde buscou abrigo da polícia e da Justiça espanholas, tem chances matemáticas de vencer – ele teria 17,7% das intenções de votos. 

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Completam o quadro o Partido Socialista Catalão (PSC), com 15,3%, a Catalunha em Comum em coalizão com o partido Podemos (CeC-Podem, esquerda radical), com 8%, o Candidatura Unida Popular (CUP, de extrema esquerda), com 6,2%, e o Partido Popular (PP, de direita), de Rajoy, com 5,5%. Outra pesquisa, publicada pelo jornal El Periodico, confirma um rigoroso empate entre ERC e Ciudadanos, ambos com 23,2% das intenções de voto.

O problema deste cenário é que, de acordo com analistas políticos, a tendência é de bloqueio do Parlamento. Isso poderá ocorrer porque, mesmo que tenha mais votos, a tendência é que Ines Arrimadas e seu partido, Ciudadanos, não formem a bancada majoritária – na Catalunha, o voto é distrital e cada circunscrição escolhe seu deputado por maioria, formando um Parlamento de eleitos locais.

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Neste cenário, a perspectiva de que uma nova aliança de partidos independentistas possa se formar para alcançar a maioria necessária é uma forte possibilidade. Segundo a mesma sondagem do jornal El Periodico, a maior probabilidade – 54% – seria uma coalizão formada por partidos de tendência à esquerda e favoráveis à separação, a mesma que governou sob a liderança de Puigdemont até novembro.

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Na terça-feira, dia 19, horas antes do final oficial da campanha, Ines Arrimadas tentou mobilizar o eleitorado indeciso e os partidários do PP, que eventualmente podem migrar para o Ciudadanos, insinuando que sua vitória seria a derrota dos secessionistas – ainda que ela não tenha a maioria para governar. 

“Ganhar lançaria uma mensagem ao mundo de que não há uma maioria independentista na Catalunha”, disse Ines em comício. “As pesquisas nos mostram que o resultado pode depender de pouquíssimos votos. Então, peço a todos que votem.”

 

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