AP Photo/Gerald Herbert
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Questões de gênero dominam disputa entre Trump e Cruz em Estado-chave

Analistas dizem que primária de Indiana é a última chance de os pré-candidatos Ted Cruz e John Kasich tentarem impedir o magnata de conseguir a nomeação do Partido Republicano para disputar a Casa Branca

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S. Paulo

30 Abril 2016 | 18h49

WASHINGTON - A possibilidade de transgêneros utilizarem banheiros femininos tornou-se um dos temas mais recentes dos ataques de Ted Cruz a Donald Trump em Indiana, Estado que pode definir, na terça-feira, 3, o futuro da nomeação do Partido Republicano à presidência dos EUA. 

Enquanto o senador pelo Texas tenta conquistar os religiosos conservadores, o bilionário de Nova York seduz os operários brancos com suas críticas a acordos comerciais e ao desaparecimento de empregos industriais. Indiana abriga um dos principais símbolos da cruzada de Trump contra a globalização e o desemprego: a fábrica que a empresa de aparelhos de ar-condicionado Carrier pretende transferir para o México, deixando para trás 2.100 americanos sem trabalho nos próximos três anos. 

A empresa é um dos alvos preferenciais do populismo econômico do candidato, que ameaça impor tarifas de 35% sobre os produtos que ela exportar do México para os Estados Unidos. “Haverá consequências para companhias que deixem os Estados Unidos apenas para explorá-lo mais tarde”, disse Trump no discurso sobre política externa que fez na quarta-feira.

Transgêneros. No esforço para vencer em Indiana, Cruz enfatiza temas com potencial para mobilizar os evangélicos no Estado, como a condenação ao casamento gay e ao uso de banheiros femininos por transgêneros. O candidato apresenta essas questões como um ataque à liberdade religiosa, o que atrai parte de um dos mais conservadores colégios eleitorais do país. 

Os republicanos venceram todas as eleições presidenciais no Estado desde 1940, com exceção de Lyndon Johnson, em 1964, e Barack Obama, em 2008. “Donald Trump e Hillary Clinton concordam que homens adultos deveriam poder usar o banheiro das meninas”, afirmou o senador texano na terça-feira.

Na semana anterior, o bilionário havia declarado que transgêneros deveriam usar o banheiro que considerassem mais apropriado. O caso ganhou a adesão de Caitlyn Jenner, a mais célebre personalidade americana a mudar de sexo. Medalha de ouro na Olimpíada de 1976, Jenner é republicana e havia manifestado simpatia pela candidatura de Cruz, mas mudou de ideia.

“Como mulher trans em Nova York, eu tenho de urinar. Oh, meu Deus, uma Trump International Tower. Eu amo isso”, disse Jenner em vídeo postado em seu Facebook na quinta-feira. “Trump disse que eu poderia urinar onde quisesse em seus edifícios. Então, vou utilizar o banheiro feminino”. Em seguida, ela aparece entrando na porta identificada por W, em referência a “women” (mulheres). “A propósito, Ted, ninguém foi molestado”, afirmou ao sair do banheiro.

A primária de Indiana é vista como o último ato da tentativa dos opositores de Trump de barrar sua candidatura para a eleição de novembro. Cruz focou todos os seus esforços no Estado, onde faz campanha há nove dias, e conseguiu um acordo com John Kasich, outro rival interno. Analistas dizem, porém, que o apoio dos evangélicos é insuficiente para garantir sua vitória.

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