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Rabinos israelenses proíbem aluguel de casas a cidadãos árabes

Dezenas de rabinos-chefes de cidades israelenses causaram polêmica, assinando um decreto que proíbe judeus de alugar imóveis a cidadãos árabes.

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Guila Flint ,
BBC

08 Dezembro 2010 | 09h18

Quem desobedecer a ordem pode ser banido da comunidade local

Cerca de 50 rabinos que exercem a função pública de chefes de rabinatos de grandes cidades em Israel assinaram um decreto proibindo aluguel ou venda de casas a cidadãos árabes e ameaçando aqueles que violarem a ordem de serem isolados pela comunidade.

O líder do movimento é o rabino Shmuel Eliahu, da cidade de Tzfat, que publicou um decreto semelhante há um mês levando a população de sua cidade a se negar a alugar casas a estudantes árabes de uma faculdade local.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu condenou o decreto dos rabinos.

"Como nos sentiríamos se alguém no exterior proibisse a venda de apartamentos a judeus?", questionou o premiê.

"Não há lugar para esse tipo de decreto em um Estado democrático, o Estado de Israel rejeita totalmente esses pronunciamentos", disse.

Bíblia

Para o rabino-chefe da cidade de Ashdod, Yossef Sheinin, a proibição "se baseia na Bíblia".

"Na Bíblia está escrito que Deus deu a terra de Israel ao povo de Israel, o mundo é tão grande e Israel é tão pequeno mas todos o cobiçam, isso é injusto", afirmou Sheinin.

O rabino-chefe do assentamento de Beit El, Shlomo Aviner, que também assinou o decreto, declarou que "os árabes são 25% dos cidadãos e não devemos ajudá-los a criar raízes em Israel".

Entre os rabinos que assinaram o decreto estão os rabinos-chefes de cidades importantes como Rishon Letzion, Carmiel, Rehovot, Herzlia, Naharia e Pardes Hana e todos são funcionários públicos.

'Racismo e xenofobia'

O escritor Sefi Rachlevsky, que lidera um grupo de intelectuais contra o racismo, pediu nesta quarta-feira falando à radio estatal de Israel que "esses rabinos racistas sejam imediatamente demitidos de seus cargos".

Para Rachlevsky, a crítica feita por Netanyahu não é suficiente.

"É necessária uma ação imediata contra esses 50 rabinos, pois se não forem demitidos em breve mais 500 poderão aderir a esse movimento", disse o escritor.

O deputado Ahmed Tibi, do partido Raam Taal, que representa cidadãos árabes de Israel, pediu que os rabinos sejam indiciados por crimes de racismo e xenofobia.

O líder da bancada do partido social-democrata Meretz, Ilan Galon, enviou um pedido ao procurador-geral da Justiça, Yehuda Weinstein, para que ordene a demissão dos rabinos que assinaram o decreto.

O rabino reformista Gilad Karib também condenou em termos duros os rabinos ultraortodoxos autores do decreto.

"Eles mancham o Estado de Israel e o judaísmo com a marca de Cain da xenofobia", disse o rabino reformista.

Para Iona Iahav, prefeito da cidade de Haifa onde convivem judeus e árabes, o decreto é uma "blasfêmia".

"Esses rabinos ateiam fogo contra a coexistência (entre árabes e judeus), cujas implicações são mais destrutivas do que o incêndio que arrasou o bosque do Carmel", disse o prefeito, referindo-se ao maior incêndio da história do país, que matou 42 pessoas e destruiu grandes áreas verdes, na semana passada, nas redondezas de Haifa. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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