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Refugiado iraniano se imola em protesto por condições de amparo em Nauru

Protesto extremo foi realizado durante visita de representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados ao local; ele está em 'estado muito grave', segundo autoridades

O Estado de S. Paulo

27 Abril 2016 | 12h43

SYDNEY, AUSTRÁLIA - Um refugiado iraniano se encontra em estado crítico após ter se imolado nesta quarta-feira, 27, em protesto pelas condições nas quais vivem os imigrantes ilegais no centro de acolhimento que a Austrália administra em Nauru, uma ilha do Pacífico Sul.

"Estamos cansados, esta ação provará que estamos cansados", gritou o homem, de 23 anos, momentos antes de atear fogo em si mesmo, segundo um vídeo divulgado pelos meios de comunicação australianos.

A imolação coincidiu, segundo a emissora australiana "ABC", com a visita às instalações de três representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que presenciaram os fatos.

O ministro de Imigração da Austrália, Peter Dutton, declarou à imprensa que o refugiado iraniano "se encontra em um estado muito, muito grave" e que "a previsão não é nada boa".

As autoridades australianas devem levá-lo nas próximas horas a um centro médico adequado, mas advertiram que assim que se recuperar voltará a Nauru, ao centro que aloja 468 solicitantes de asilo sob um regime aberto.

Não é a primeira vez que imigrantes desse centro se machucam ou protestam pelo tratamento que recebemdo governo australiano. O Acnur critica há muito tempo as condições "desumanas" que existem nos centros de detenção que a Austrália mantém em Nauru e Papua Nova Guiné.

O governo de Nauru atribuiu a ação a uma "protesto político" e disse que os refugiados tentam influenciar nas diretrizes de imigração da Austrália.

Estes lugares foram criados pelo governo conservador do primeiro-ministro John Howard em 2001 com a chamada "Solução do Pacífico", que buscava desviar a terceiros países da região o crescente fluxo de "imigrantes ilegais" que tentavam chegar ao litoral australiano.

Em 2008, o governo trabalhista do primeiro-ministro Kevin Rudd fechou esses centros para imigrantes, mas sua sucessora e companheira de partido, Julia Gillard, os reabriu em 2012.

Milhares de emigrantes embarcam todos os anos na Indonésia para pedir asilo na Austrália, mas a maioria é interceptada pela guarda costeira australiana e realocada em terceiros países.

Muitos pessoas que viajam à Austrália fogem de conflitos como os do Afeganistão, Darfur, Paquistão, Somália e Síria, e outros tentam escapam da discriminação, como as minorias Rohingyas de Mianmar e bidun da região do Golfo Pérsico. / EFE e AFP

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