Refugiados interrompem fluxo de trens entre a França e a Inglaterra

O fluxo de trens entre a França e a Inglaterra foi interrompido após um grande grupo de refugiados invadir a linha férrea durante a madrugada, na cidade francesa de Calais. A companhia Eurostar, que administra o Eurotúnel, disse que "um grupo altamente organizado de mais de 100 imigrantes" invadiu o terminal por volta das 22h30 de sexta-feira e todos os serviços foram interrompidos por "motivos de segurança". A circulação está sendo retomada gradualmente na manhã deste sábado.

AE, Estadão Conteúdo

03 Outubro 2015 | 10h37

A polícia francesa conseguiu controlar a situação e evitar que os imigrantes se encaminhassem para o Reino Unido. "Um grupo tão grande não teria chance de chegar ao Reino Unido, então isso foi claramente um ataque organizado, visando atrair atenção da mídia para a situação desesperadora dos imigrantes que estão presos em Calais", diz a Eurostar. Segundo autoridades locais da região de Pas-de-Calais, dois policiais e quatro refugiados tiveram ferimentos leves.

A segurança nas entradas do túnel, que passa por baixo do Canal da Mancha, tem sido reforçada nos últimos meses, em meio ao enorme fluxo de imigrantes que chega à Europa fugindo de conflitos e da miséria no Oriente Médio e norte da África. Em Calais, uma cerca de arame farpado está sendo reforçada no entorno do terminal, que tem um perímetro de 28 quilômetros. As equipes de segurança foram ampliadas, contando com a ajuda de policiais e cães.

Na última quarta-feira, um refugiado da Eritreia foi encontrado morto no túnel, elevando o total de vítimas este ano para 13. A administração de Pas-de-Calais disse que ele aparentemente foi atingido por um trem de carga.

Finlândia

Enquanto isso, demonstrações a favor e contra os refugiados foram organizadas neste sábado na Finlândia. As manifestações ocorreram na cidade de Tornio, na fronteira com a Suécia, principal ponto de entrada dos imigrantes. O grupo favorável contava com menos de 100 pessoas e carregava cartazes com dizeres como "buscar asilo é um direito humano". Já o grupo contrário tinha quase 200 manifestantes, que agitavam bandeiras finlandesas e placas com frases como "imigrantes não são bem-vindos".

Os contrários ao fluxo de refugiados apontam que a Finlândia passa por uma crise econômica e que o governo já está sendo obrigado a reduzir benefícios sociais. Este ano o país - que tem 5,5 milhões de habitantes - já recebeu quase 50 mil pedidos de asilo, contra apenas 3,6 mil no ano passado. Fonte: Associated Press.

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