AFP PHOTO / HASAN MOHAMED
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Regime sírio é acusado de cometer novo ataque químico; países se reúnem para solicitar sanções

Pacientes sofriam ‘irritação respiratória, dificuldades respiratórias, tosse e vermelhidão nos olhos’, segundo o funcionário de um hospital de Duma, na Síria; EUA criticaram severamente a Rússia, acusando Moscou de não ser capaz de controlar seu aliado Bashar Assad

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 09h40

PARIS - Representantes de cerca de 30 países, incluindo o chefe da diplomacia americana, Rex Tillerson, se reúnem nesta terça-feira, 23, em Paris para solicitar sanções contra os responsáveis ​​pelo uso de armas químicas na Síria após um veto da Rússia na ONU.

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Tillerson e seu colega francês, Jean-Yves Le Drian, também liderarão um encontro de ministros para lançar as bases de uma iniciativa do presidente francês, Emmanuel Macron. Ele quer criar um grupo de contato sobre a Síria que reúna os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e os países da região.

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O encontro ocorre um dia após novas acusações contra o regime sírio de um novo ataque químico em uma cidade de Guta Oriental, enclave rebelde a leste de Damasco, onde foram registrados ao menos 21 casos de asfixia.

"Após o disparo de foguetes pelas forças do regime no setor oeste da cidade de Duma, uma fumaça branca se espalhou, causando 21 casos de asfixia", anunciou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Em um hospital de Duma, bebês envoltos em cobertores, carregados ​​por um irmão ou por um outro parente, respiravam com a ajuda de máscaras de oxigênio, segundo um repórter da agência de notícias France-Presse.

"Moradores e fontes médicas falam de efeitos do gás de cloro, mas o Observatório não pode confirmar", disse o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman.

Os pacientes sofriam "irritação respiratória, dificuldades respiratórias, tosse e vermelhidão nos olhos", segundo o funcionário de um hospital de Duma, para onde foram transferidos. "Foi constatado que eles cheiram a cloro ou a água sanitária", ressaltou.

Os EUA criticaram severamente a Rússia, acusando Moscou de não ser capaz de controlar seu aliado Bashar Assad. O regime foi acusado em várias ocasiões de ter usado armas químicas contra a população.

Após uma investigação, a ONU estabeleceu que Assad foi responsável por um ataque com gás sarin em abril de 2017 contra a aldeia de Khan Sheikhun, controlada pela oposição. A ação deixou ao menos 80 mortos. Desde 2012, foram registrados cerca de 130 ataques com armas químicas na Síria, de acordo com estimativas francesas.

Um mês depois de sua eleição, em maio de 2017, Macron advertiu que as armas químicas eram uma "linha vermelha" que provocaria uma resposta da França se fossem utilizadas novamente, embora não especificasse qual seria essa resposta.

Compromisso

Na reunião desta terça-feira, os países se comprometerão a compartilhar informações e a estabelecer uma lista de pessoas envolvidas no uso de armas químicas na Síria e em outros países.

Sanções também podem ser aplicadas, como o congelamento de bens e a proibição de entrada em um certo número de países, assim como processos penais a nível nacional.

A iniciativa francesa surge depois que a Rússia usou duas vezes o seu veto na ONU para bloquear a renovação de uma investigação realizada por especialistas internacionais sobre o uso de armas químicas na Síria.

"Hoje, a situação está bloqueada no mais alto nível internacional", disse um membro da equipe de Jean-Yves Le Drian. "Os responsáveis por ataques químicos devem saber que poderão ser processados ​​e não os deixaremos escapar", acrescentou.

A França anunciou antes da reunião que congelou os ativos de 25 empresas e executivos sírios, franceses, libaneses e chineses acusados ​​de ajudar o regime sírio a desenvolver armas químicas. Trata-se principalmente de importadores e distribuidores de metais, eletrônicos e sistemas de iluminação situados em Beirute, Damasco ou Paris.

No entanto, a lista não inclui autoridades do regime sírio. "Não temos elementos hoje que nos permitam iniciar esses procedimentos ao nível das autoridades políticas sírias", admitiu o Ministério das Relações Exteriores francês.

A Rússia também busca, juntamente com o Irã e a Turquia, construir uma saída para este conflito que já matou mais de 340 mil pessoas desde 2011. / AFP

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