AFP PHOTO / SAJJAD HUSSAIN
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Relatório da UA relata canibalismo e outras atrocidades na guerra civil do Sudão do Sul

Investigação da União Africana documentou crueldade das forças do governo com população civil; milhares de pessoas morreram e 2 milhões foram desalojadas em razão da guerra civil no país

O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 14h58

JUBA - As forças do governo e os rebeldes do Sudão do Sul deverão responder a todos os tipos de atrocidades cometidos contra a população civil, dentre os quais estupros e canibalismo forçado, afirmou na quarta-feira a União Africana (UA).

Uma comissão da UA, liderada pelo ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, realizou uma investigação que documentou horrores de uma crueldade sem precedentes, tais como forçar membros de uma comunidade a "beber o sangue e comer a carne de pessoas de seus próprios grupos étnicos", indica o relatório da comissão.

Uma testemunha disse que viu “soldados do Exército do Sudão do Sul queimando cadáveres e obrigando mulheres de etnia Nuer a comer a carne dessas vítimas”, apontava o relatório.

"A maioria das atrocidades foi cometida contra civis que não estavam diretamente envolvidos no conflito. Houve ataques contra locais de culto e hospitais, a ajuda humanitária foi dificultada e cidades foram saqueadas e destruídas", acrescenta.

Desde o seu início, em dezembro de 2013, a guerra civil no Sudão do Sul deixou dezenas de milhares de mortos. "Há indícios que nos permitem acreditar que ambos os lados cometeram assassinatos, estupros, tortura e outros atos desumanos", aponta o relatório.

O documento vê "motivos razoáveis que sugerem um genocídio", e pede que a UA crie um tribunal independente para julgar os responsáveis por estes crimes. Além disso, ele alega que as tropas do governo assassinaram membros da etnia Nuer em Juba, capital do país. 

O Sudão do Sul, que se tornou independente do Sudão em 2011 após décadas de conflito armado, mergulhou em dezembro de 2013 em um novo ciclo de violência com uma guerra entre partidários do presidente Salva Kiir e de seu ex-vice-presidente Riak Mashar, com fundo de tensões étnicas.

Centenas de milhares de pessoas morreram e cerca de 2 milhões foram desalojadas em razão da guerra no país, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que culpou a violência e a ameaça de fome aos jovens nos países rivais. /AFP e ASSOCIATED PRESS

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