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Relatório mostra assassinato de detentos na Síria

PRISCILA ARONE - Agência Estado

21 Janeiro 2014 | 09h 29

Três promotores que atuaram em tribunais especiais internacionais entregaram um relatório de 31 páginas à Organização das Nações Unidas (ONU) que mostra o "assassinato sistemático" de cerca de 11 mil pessoas detidas pelo governo da Síria, informa o jornal britânico The Guardian.

Os autores do documento, Desmond de Silva, ex-promotor do tribunal especial para Serra Leoa; Geoffrey Nice, ex-promotor chefe da acusação a Slobodan Milosevic no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, e o professor David Crane, que processou o presidente Charles Taylor, da Libéria, em tribunal de Serra Leoa, examinaram milhares de fotografias e arquivos de detentos que estiveram sob custódia do regime de Bashar Assad entre março de 2011 e agosto de 2013.

As evidências foram apresentadas por um policial que trabalhava secretamente com um grupo da oposição síria, mas que acabou por desertar e deixar o país. Ele trabalhava como fotógrafo da polícia militar síria e entregou pen drives com as imagens para um contado do Movimento Nacional Sírio, grupo que é apoiado pelo Catar, país que quer a queda de Assad.

Os três advogados conversaram com a fonte, que por razões de segurança foi identificada apenas como Caesar, e analisaram com atenção as provas. Após esse processo, consideraram os documentos, assim como os relatos da fonte, verdadeiros e dignos de confiança.

O trabalho de Caesar, segundo o que ele mesmo disse aos investigadores, era "fotografar os detidos mortos". Ele não disse ter visto as execuções, mas descreveu o organizado sistema usado pelo governo nesses casos. "Quando os detidos eram mortos no local de detenção, seus corpos eram levados a um hospital militar para se fossem vistos por um médico e um membro do Judiciário", diz o documento. Caesar tinha a função de fotografar os corpos. De acordo com o documento, cerca de 50 corpos eram fotografados por dia.

"Havia duas razões para registrar a imagem dos detidos sem vida. A primeira era permitir que uma certidão de óbito fosse feita sem que as famílias pedissem para ver o corpo, evitando, assim, as autoridades tivessem de que fazer um relato fiel sobre as mortes; a segunda é confirmar que as ordens para a execução dessas pessoas foram obedecidas", informa o relatório.

As imagens mostram que a maioria das vítimas é de homens jovens. Muitos dos corpos mostravam sinais de magreza, manchas de sangue e sinais de tortura. Alguns estavam sem os olhos e outros tinham sinais de estrangulamento e eletrocução.

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