AFP / LUIS ROBAYO
AFP / LUIS ROBAYO

Repressão chavista fechou 69 veículos de imprensa em 2017, diz sindicato

Relatório anual do SNTP mostra que agressões a jornalistas aumentaram 26,5% em relação ao ano passado e foram usadas para ‘silenciar’ descontentamento com a crise econômica

O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2017 | 20h56

CARACAS - A repressão do governo de Nicolás Maduro à imprensa em 2017 levou ao fechamento de 69 veículos e foi a maneira de “silenciar, a qualquer preço, o descontentamento causado pelas situações econômica e social cada vez mais críticas”, denunciou nesta quarta-feira o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa do país (SNTP, na sigla em espanhol), acrescentando que as agressões a jornalistas aumentaram durante os protestos de rua. 

A entidade contabilizou 498 agressões e 66 detenções de jornalistas – um aumento de 26,5% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 360 ataques. A Venezuela enfrenta uma grave crise com hiperinflação e escassez de alimentos e medicamentos.

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Dos 498 ataques a jornalistas, 273 ocorreram durante os protestos contra Maduro – que terminaram com 125 mortos –, sendo que 197 casos foram registrados apenas nos meses de abril e maio. De acordo com o comunicado do SNTP, 70% dos casos de assédio foram praticados pelo Exército ou pelas polícias. 

O número de agressões de 2017 também supera os dados de 2015 (280 casos) e 2014 (420), informou o SNTP em seu balanço anual. 

“Utilizando o braço e as armas da Guarda Nacional Bolivariana e as polícias regionais e municipais, a burocracia oficial tentou inviabilizar o conflito”, afirma o SNTP.

Além da repressão aos jornalistas, 69 veículos de imprensa foram fechados – 46 emissoras de rádio e 3 de TV não tiveram suas concessões de funcionamento renovadas e 20 jornais encerraram suas atividades por falta de papel para imprimir as notícias.

As emissoras acusam o governo de fazer as concessões de maneira discriminatória. A importação do insumo é controlada pelo governo venezuelano, que pode conceder ou não os dólares necessários para a compra do papel-jornal no mercado externo.

O sindicato informou ainda que “14 sedes de meios de comunicação sofreram assédio” das autoridades venezuelanas.

Estrangeiros. O SNTP informou em seu relatório que as emissoras de televisão colombianas RCN e Caracol e a rede americana CNN em Espanhol foram silenciadas por decisão do governo Maduro – os canais foram retirados da grade de programação na Venezuela. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos chamou a medida de “castigo” em razão da linha editorial dos veículos.

Nesta quarta-feira, o sindicato também denunciou que dois repórteres da Unicable TV, em Isla Margarita, foram detidos por três horas por agentes da Guarda Nacional Bolivariana enquanto cobriam um protesto pela falta de comida. 

Caracas não reagiu nesta quarta-feira à divulgação do relatório, mas frequentemente diz ser vítimas de “uma campanha de desprestígio” em meios da imprensa local e internacional. / AFP e EFE

 

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