REUTERS/Denis Balibouse
REUTERS/Denis Balibouse

República Dominicana convida governo e oposição venezuelanos para o diálogo

Maduro diz que aceita negociar; MUD envia representante com lista de precondições

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2017 | 17h51

SANTO DOMINGO - O governo da República Dominicana e o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero convidaram nesta terça-feira o presidente Nicolás Maduro e a oposição venezuelana a iniciar um diálogo para resolver a crise política. 

Maduro anunciou, após uma reunião de gabinete, que aceitava o diálogo com a oposição. A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) disse em um comunicado que enviou uma delegação com suas precondições a Santo Domingo, mas o convite não representa o início de um diálogo formal.

A MUD exige um cronograma eleitoral completo, a libertação de presos políticos, a atenção imediata à crise econômica e social no país e o respeito à independência de poderes do Estado, por consequência, o reconhecimento pleno das competências constitucionais da Assembleia Nacional, eleita pelo povo.

 O convite veio à tona após o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, afirmar em um comunicado que os dois lados manteriam conversações hoje em Santo Domingo.

“Estou feliz em saber que o diálogo com a oposição será realizado na República Dominicana, com o apoio do presidente dominicano, Danilo Medina, e o ex-chefe de governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero”, declarou Le Drian após um encontro em Paris com o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza. 

 Le Drian disse nesta terça-feira que Caracas arrisca sofrer sanções da União Europeia se não se engajar nas negociações. Em nota, o chanceler dominicano, Miguel Vargas, e Zapatero se declararam convencidos da “necessidade urgente” de propiciar um entendimento e disseram que “há uma oportunidade para um processo de encontro, reconhecimento mútuo e reconciliação”.

Zapatero e os ex-presidentes Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá), juntamente com o Vaticano, impulsionaram o diálogo na Venezuela no final de 2016, mas as conversações fracassaram em meio a acusações mútuas de não cumprimento de acordos. 

Desde então, as tensões se agravaram com uma onda de protestos contra o governo, que deixou 125 mortos entre abril e julho, e a instalação de uma Assembleia Constituinte formada por chavistas.

O órgão, que está reformando a Constituição com poderes absolutos, é rejeitado por vários governos, entre eles o da França, cujo presidente, Emmanuel Macron, considera o governo Maduro uma ditadura.  O chanceler francês disse nesta terça-feira que Caracas arrisca sofrer sanções da União Europeia se não se engajar nas negociações./ AFP e REUTERS

 

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