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Pete Marovich/Getty Images/AFP

Republicanos apostam no ‘fator Rubio’ para frear avanço de Trump

Analistas acreditam que o debate de quinta-feira, no qual o senador da Flórida deixou o magnata na defensiva, pode ter sido um ponto de virada, mas somente após as primárias de Ohio e Flórida será possível saber se ele terá alguma chance

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Renata Tranches,
O Estado de S. Paulo

28 Fevereiro 2016 | 07h00

Encerrando uma semana em que o Partido Republicano pareceu ter acordado para a possibilidade real de ter Donald Trump como seu candidato à presidência dos EUA, a legenda se concentra em Marco Rubio como uma última esperança de não ter o polêmico magnata na disputa pela Casa Branca. O nome do senador pela Flórida, Marco Rubio, é uma saída, segundo analistas, se não se provar tardia. 

O teste real será a rodada de primárias da terça-feira – conhecida como Superterça –, quando importantes 12 Estados decidirão seus delegados. 

Rubio teve um bom momento no último debate do partido. Bateu duro e confrontou Trump. Enquanto sua atuação – que conseguiu a rara façanha de colocar Trump na defensiva – era enaltecida pela militância, no entanto, veio a notícia de que o governador de New Jersey, Chris Christie, republicano tido como moderado e carismático, declarara apoio a Trump.

 

Questionados sobre se ainda é possível conter Trump, analistas disseram acreditar que há uma pequena chance – e ela passa por Rubio. “O debate pode ter sido um ponto de virada para Rubio e também mostrou a vulnerabilidade com relação à declaração de renda de Trump e outras questões”, explicou ao Estado Robert Shapiro, um experiente especialista do Departamento de Ciências Políticas da Columbia University. 

Ele ponderou, porém, que esse desempenho precisa se traduzir em preferência nas pesquisas para a Superterça. 

Chris Krueger, estrategista da Guggenheim Securities e autor da publicação D.C. Download, sobre o universo político na capital dos EUA, escreveu que a data decisiva para saber se 

Trump será o indicado será 16 de março, um dia depois das primárias de Ohio e Flórida. Nesses dois importantes Estados, o vencedor levará todos os delegados da disputa – em outros, a divisão costuma ser proporcional – e Rubio terá a chance de chegar mais perto de Trump em número de delegados. 

“Estamos prevendo uma indicação de Rubio desde agosto e ele permanece como o único candidato que pode conquistar a nomeação além de Trump. No entanto, somos realistas e sabemos que a essa altura isso é pouco provável”, afirmou. 

Já para Dan Franklin, especialista e professor de ciências políticas da Georgia State University, será difícil impedir a indicação de Trump se o Partido Republicano “só seguir suas regras”. 

“Eles sempre podem mudar as regras (que não são leis nos EUA) para, de alguma maneira, desqualificar Trump”, explicou ao Estado. O problema, diz Franklin, é que isso afastaria uma grande parte dos eleitores republicanos, custando as eleições gerais de novembro. O mais eficaz, na sua opinião, seria o partido se unir em torno da candidatura de Rubio. 

Angústia. A chance de ter um candidato que defende posições distantes e incoerentes com as do partido está levando a preocupações que vão além das presidenciais. Segundo Shapiro, a liderança do Partido Republicano e a elite americana alinhada a ele não gostam de Trump por um lado por sua retórica racista e preconceituosa e, por outro, por apoiar políticas que os contrariam. 

Como exemplo, ele cita a oposição de Trump sobre livre comércio, sua forte rejeição à imigração, entre outros. “Esses líderes se preocupam não apenas com a reputação do partido, mas também pelo fato de que Trump talvez afaste eleitores republicanos para as candidaturas da Câmara e do Senado”, avalia Shapiro. Atualmente, o Partido Republicano detém a maioria nas duas Casas. 

“Eles subestimaram completamente Trump, assim como fizeram os jornalistas, os analistas políticos, os cientistas políticos, até eu mesmo”, reconhece Shapiro. A explicação para a força de Trump, segundo ele, é o fato de o pré-candidato ter mais apelo entre os eleitores das primárias do que qualquer outro da “vitrine” do partido. 

Mas ficou claro na última semana que o partido também começa a ser cobrado. Os maiores jornais publicaram duros editoriais cobrando uma posição. 

Conservadores que votam pelo Partido Republicano pareceram estar perdendo a paciência. Há pelo menos dois grupos no Facebook com o nome Republicans for Hillary (Republicanos por Hillary). Tom Nichols, professor da U.S. Naval War College, deixou claro seu descontentamento em um manifesto publicado no site The Federalist. No texto, ele acusa Trump de ser um liberal disfarçado de conservador e, caso vença, suas políticas serão todas contrárias às promessas de campanha. Por isso, prefere votar em Hillary.

“Melhor perder para um verdadeiro inimigo cujas políticas você pode lutar contra e repudiar, do que ter um falso amigo cujos esquemas arrastarão você para baixo com ele”, escreveu. “O futuro de todo o movimento conservador está em jogo e uma vitória de Hillary contra Trump pode ser a única esperança de salvá-lo.” 

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