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EFE/Cnn/David Scott Holloway

Republicanos miram em imigração e política externa em debate menos agressivo

Evento não foi marcado por insultos e desqualificações como os anteriores. Rubio e Cruz garantiram que se forem eleitos reverterão abertura dos EUA a Cuba, e Trump afirmou que a maioria dos muçulmanos odeia os americanos

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O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 08h28

MIAMI - O magnata do setor imobiliário Donald Trump e seus rivais à indicação do Partido Republicano para as eleições presidenciais dos EUA reduziram na quinta-feira o tom beligerante e agressivo de embates anteriores e protagonizaram a troca de ideias mais sóbria realizada até o momento.

Sem insultos ou desqualificações e com choques mais suaves entre os candidatos, o debate de Miami, na Flórida, se concentrou em questões como comércio, imigração, educação, sistema de seguridade social e política externa.

Tanto Trump como o senador pela Flórida Marco Rubio, que vinha sendo um dos mais agressivos, já haviam insinuado antes do encontro que o debate seria diferente, já que o empresário avisou que se apresentaria como "presidenciável" e Rubio reconheceu que tinha sido um erro entrar em questões pessoais.

Um dos primeiros temas discutidos foi a forma de lidar com o déficit e a dívida dos EUA. Para Trump, é preciso acabar com "o desperdício, a fraude e o abuso", que atualmente estão "descontrolados".

Tanto Rubio como o senador pelo Texas Ted Cruz consideraram a proposta de Trump insuficiente e propuseram alternativas, mas sempre tentando manter-se dentro do debate político, evitando as desqualificações diretas.

"Os números não batem. É preciso reformar a seguridade social ou teremos uma crise da dívida", respondeu Rubio, que propôs elevar progressivamente a idade de aposentadoria para 70 anos, com o objetivo de tornar sustentável o sistema de previdência.

Cruz também defendeu a elevação da idade para a aposentadoria e comparou a proposta de Trump de combater o desperdício, a fraude e o abuso com as medidas defendidas pelos democratas e Hillary Clinton.

Quanto à imigração, Cruz reiterou que se chegar à Casa Branca "triplicará" os efetivos de patrulha nas fronteiras, concluirá um muro na divisa com o México, e acabará com as conhecidas "cidades santuário", localidades com políticas de não perseguição aos imigrantes ilegais.

Com relação ao comércio, Rubio defendeu os benefícios de alguns tratados de livre-comércio já assinados pelos EUA, e citou como exemplo o acordo firmado com a Colômbia, que, segundo ele, trouxe grandes benefícios para seu Estado.

Trump, por sua vez, defendeu suas credenciais como empresário para falar do assunto. Disse ser o melhor preparado para discutir o tema em razão de sua experiência, e argumentou que as leis atuais são ruins "tanto para os trabalhadores como para os empresários".

Um dos momentos de maior intensidade da noite foi quando Trump reafirmou em seu comentário que a maioria dos muçulmanos odeia os EUA: "Eu não quero ser politicamente correto. Temos um problema sério de ódio (em relação ao Islã). É melhor que solucionemos o problema antes que seja tarde demais", alertou o magnata.

"Em grandes mesquitas do Oriente Médio há gente gritando 'Morte aos EUA!'. Temos que expandir nossas leis (para combater o jihadismo) ou seremos um bando de ingênuos, e eles estarão rindo de nós", acrescentou o bilionário.

O primeiro a respondê-lo foi o senador Marco Rubio, que assegurou que "os presidentes não podem dizer tudo o que querem", e contou o caso de um casal de missionários americanos em Bangladesh que, segundo ele, comentaram que estão tendo problemas no país pelos comentários de Trump sobre o Islã.

Quem também respondeu Trump de maneira parecida foi Ted Cruz, para quem a resposta ao jihadismo "não é simplesmente gritar 'o Islã é mau'". Além disso, o senador texano revelou sua "preocupação" com a "linguagem incendiária" de Donald Trump.

O quarto candidato em disputa, o governador de Ohio, John Kasich, também disse que não acredita "que o Islã odeie" os americanos, mas que existe "uma seita" voltada contra os EUA.

Cuba. Marco Rubio e Ted Cruz, ambos de origem cubana, afirmaram no debate que reverteriam a abertura do país em relação a Cuba, empreendida pelo atual presidente Barack Obama, enquanto Donald Trump garantiu que "a melhoraria".

Para Rubio, a nova política americana em relação a Havana é "uma troca sem recompensa", em referência ao fato de o país caribenho "não ter dado um único passo para melhorar a situação dos direitos humanos".

"Eu adoraria que as relações entre Cuba e EUA mudassem, mas Cuba não mudou", disse Rubio, um dos maiores opositores do governo dos irmãos Castro no Congresso americano.

Cruz assegurou que voltaria atrás nos passos dados por Obama em relação ao governo dos Castro, uma aproximação que o pré-candidato comparou com outras ações da atual administração democrata, como o acordo nuclear com o Irã.

Sobre a questão, Trump considerou que "50 anos já foram suficientes" em referência ao embargo imposto sobre a ilha, mas frisou que "melhoraria o acordo", sem entrar em detalhes.

Diante da resposta do empresário, Rubio aproveitou para mostrar seu conhecimento sobre o assunto e interpelou o magnata assegurando que um bom acordo com Cuba seria possível se no país "houvesse eleições livres e liberdade de expressão", uma intervenção que lhe rendeu uma enorme ovação por parte do público presente ao debate.

"Agora, o governo cubano tem mais fontes de financiamento, procedentes do dinheiro americano" para continuar seu regime opressivo, argumentou o senador.

Israel e palestinos. Trump foi alvo de seus adversários ao defender sua postura de que é necessário manter certa "neutralidade" no conflito entre israelenses e palestinos e que, se for eleito presidente, uma de suas prioridades será "a proteção de Israel e tentar conseguir um acordo, já que é preciso tentar".

"Donald disse que quer ser neutro no conflito entre israelenses e palestinos, eu não quero um comandante que seja neutro. Esse é o tipo de relativismo moral de Barack Obama", reprovou Cruz.

Rubio, por sua vez, negou que seja "possível qualquer pacto" com os palestinos porque "não há ninguém com quem negociar". Kasich garantiu que não há "nenhuma solução de paz a longo prazo" e que "é preciso apoiar os israelenses".

O debate de quinta-feira foi o último entre os pré-candidatos republicanos antes da jornada crucial de terça-feira, quando acontecerão prévias em cinco estados: Ohio e Flórida, onde o ganhador ficará com o número total de delegados em jogo, e Illinois, Missouri e Carolina do Norte. /EFE

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