EFE/Andy Rain
EFE/Andy Rain

Londres teme que atentado contra muçulmanos estimule radicalismo

Conselho Muçulmano Britânico admite que muitos na comunidade islâmica estão revoltados com ataque, pede calma e adverte para aumento do sentimento anti-islâmico; May denuncia ato de “ódio” contra civis inocentes

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 10h09

LONDRES - Um atentado contra muçulmanos que deixavam uma mesquita na noite de domingo despertou nesta segunda-feira preocupação entre as autoridades de uma escalada na violência religiosa estimule o recrutamento de radicais pelo Estado Islâmico. Uma pessoa morreu e dez ficaram feridas no atropelamento cometido diante da Mesquita de Finsbury Park por Darren Osborne, de 47 anos, natural de Gales.

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, confirmou nesta segunda-feira, que o responsável pelo atropelamento de membros da comunidade muçulmana perto de uma mesquita em Londres "agiu sozinho".

A líder conservadora, que visitou a mesquita, disse que o atropelamento no norte da capital, “é um lembrete de que o terrorismo, o extremismo e o ódio adotam muitas formas”.

Para a primeira-ministra, este ataque contra a comunidade muçulmana “é tão insidioso e destrutivo para os valores e a forma de vida” dos britânicos como os últimos atos terroristas em Manchester e Londres. motivados por extremistas islâmicos. 

 

Alguns muçulmanos e outros grupos questionaram por que as autoridades e a mídia demoraram em descrever o ataque como um ato de terrorismo, apesar de a primeira-ministra ter qualificado rapidamente o atropelamento como um atentado. May denunciou o ataque como um ato de “ódio” contra civis inocentes durante o mês sagrado do Ramadã e acrescentou que reforçará a segurança das mesquitas. Ela destacou que os valores britânicos de liberdade de expressão, liberdade de religião vão prevalecer. 

Harun Khan, secretário-geral do Conselho Muçulmano Britânico, reconheceu que muitos muçulmanos estão revoltados com o ataque, mas ele pediu calma e advertiu para um aumento do sentimento anti-islâmico.

O subcomissário da Polícia Metropolitana, Neil Basu, elogiou os pedestres que detiveram o responsável pelo ataque, antes da chegada da polícia, e convocou a população a permanecer calma e vigilante.

Em uma indicação do aumento de tensão, uma mesquita no leste de Londres informou nesta segunda-feira que recebeu ameaças por telefone. As autoridades da mesquita disseram que a ameaça parece ter sido um trote, mas pediram uma maior segurança.

Os moradores de Londres, uma cidade multicultural com uma grande população de muçulmanos, têm respondido com solidariedade e tolerância com relação aos muçulmanos após os recentes ataques cometidos por extremistas. Esse senso de unidade prevaleceu nesta segunda-feira.

“Reconhecemos que este incidente foi igual aos outros”, disse Deb Hermer, de 20 anos, moradora de Finsbury Park, que deixou um buquê de flores no portão da mesquita. “Este não foi menos importante que os outros incidentes.”

Líderes muçulmanos e defensores dos direitos humanos advertiram que alguns poderiam usar os recentes atentados terroristas para instigar a hostilidade com relação aos muçulmanos e a noção de uma guerra de cultura entre o Islã e o Ocidente. 

Segundo o gabinete do prefeito de Londres, nos seis dias após o ataque terrorista na Ponte de Londres, no dia 3, a Polícia Metropolitana registrou 120 incidentes islamofóbicos. / NYT, EFE e AFP

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