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Internacional

Venezuela

Retirada de ícones chavistas de Assembleia Nacional expõe ódio da oposição, acusa Maduro

Presidente venezuelano acusa MUD de buscar confronto, respaldada pelos EUA, para desestabilizar seu governo e provocar intervenção armada na Venezuela

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Ricardo Galhardo, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS,
O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2016 | 02h00

As imagens do presidente morto em 2013, Hugo Chávez, do atual, Nicolás Maduro, e do herói nacional Simón Bolívar retiradas da Assembleia Nacional por ordem do presidente do Parlamento, o oposicionista Henry Ramos Allup, tornaram-se o novo foco da disputa política entre Legislativo de maioria oposicionista e governo na Venezuela.

Na quinta-feira à noite Maduro, acusou a oposição de querer levar o país a uma situação de confronto, o que, em sua opinião, tem como objetivo a intervenção internacional por parte de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

“Não sejamos ingênuos, estão alimentando com ódio o espírito nacional para buscar uma escalada do confronto e intervir internacionalmente na Venezuela com uma coalizão de países de direita liderados pelos EUA”, disse Maduro no Quartel da Montanha, onde jaz o corpo de Chávez.

“Eu sinto que estão (a oposição) embriagados pelo poder. Eles são perigosos, podem levar este país a uma situação de confronto e tenho certeza que o imperialismo americano e o general John Kelly (chefe do Comando Sul dos EUA) estão por trás, controlando as marionetes.”

O presidente agradeceu ao ministro da Defesa, Vladimir Padrino, pelo comunicado da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que manifestou a profunda indignação pelo “ultraje” da retirada dos retratos de Bolívar, Chávez e Maduro da sede da Assembleia Nacional.

“A retirada dos retratos é o mais grave ultraje que jamais se cometeu na história de 200 anos contra a memória sagrada do libertador da América Simón Bolívar”, acrescentou o presidente. Maduro pediu ainda que os partidários do chavismo não permitam o avanço do fascismo e opinou que a ordem de Ramos Allup é uma operação de ódio e vingança contra Bolívar e Chávez.

Depois da retirada, Maduro ordenou a distribuição entre todos os soldados do país de um quadro com a foto de Bolívar à esquerda, a foto de Chávez à direita. O prefeito do distrito caraquenho de Libertador, Jorge Rodríguez, governista, prometeu colocar retratos do presidente morto em todas ruas da cidade. Maduro também pediu uma grande jornada de repúdio, rejeição, ao ultraje contra Bolívar e Chávez, nas salas de aula de todas as escolas, ruas e quartéis.

‘Abuso’. Ramos Allup justificou a decisão de retirar as imagens de Chávez e de seu sucessor por considerá-las um abuso contra a independência do Poder Legislativo.

Além disso, o opositor afirmou que a instrução de retirar as imagens do herói era voltada apenas àquelas que são uma simulação do rosto de Bolívar, produto de um estudo ordenado por Chávez, por meio da análise dos ossos do personagem histórico, mas não afetava as pinturas originais do libertador. “Enquanto eu for presidente da Assembleia Nacional, o único retrato que vai haver é o retrato original de Simón Bolívar, não a cópia falsificada feita por um computador”, disse Ramos Allup.

Diplomacia. Em outro front da disputa política, a chanceler venezuelana Delcy Rodríguez, reuniu o corpo diplomático credenciado no país para falar sobre supostas ilegalidades cometidas pelos oposicionistas no controle do Parlamento.

O foco da chanceler foi a decisão da Assembleia Nacional de empossar três deputados da oposição cujas candidaturas foram impugnadas pelo Tribunal Supremo de Justiça. A presença dos três deputados impugnados garante maioria qualificada de dois terços da Casa à oposição. “Demos informações relevantes sobre violações à Constituição por parte desta bancada burguesa, anticonstitucional e inconstitucional que violenta as lei do país”, disse a chanceler.

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