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Reunião de paz sobre Síria começa com insultos; Kerry exige saída de Assad

Jamil Chade - Enviado Especial / Montreux - O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2014 | 12h 01

Após começo de negociação marcado por ofensas, ONU proporá às delegações do governo sírio e a da oposição que um acordo comece a partir de pontos menos controvertidos

(Atualizada às 23h45) MONTREUX, SUÍÇA - A conferência de paz sobre a Síria começou na quarta-feira, 22, com insultos e um impasse sobre qual deve ser o futuro do presidente Bashar Assad. Washington exigiu que o ditador deixe a presidência para que haja um acordo de paz. Damasco rejeitou qualquer transferência de poder e avisou que pode simplesmente abandonar o processo.

A reunião em Montreux foi o primeiro encontro cara a cara entre a oposição e o regime sírio em três anos de guerra. O que predominou na luxuosa sala de reuniões foi tensão. Nos corredores, diplomatas afirmavam que as hostilidades revelaram um acordo de paz muito mais distante que se imaginava.

O Estado apurou que, no esforço de manter o processo vivo diante do começo atribulado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, proporá na quinta-feira às delegações do governo sírio e da oposição que um acordo comece a ser desenhado a partir de três pontos menos polêmicos: um cessar-fogo regional, a troca de prisioneiros e a abertura de corredores humanitários.

Os mediadores da ONU terão reuniões em separado com governo e oposição, justamente para tentar superar a crise inicial. Amanhã, será feita uma primeira tentativa de colocar os dois grupos em uma sala sozinhos. "Precisamos de um novo começo. Não é fácil fazer sentar-se à mesma mesa dois grupos que, por anos, conduziram um banho de sangue", disse Ban.

O ponto central de um acordo – a transição política – vive um impasse. O secretário de Estado americano, John Kerry, condicionou um acordo à criação de um governo de transição. "Assad não pode fazer parte desse governo. Não se pode salvar a Síria da desintegração enquanto ele estiver no poder", insistiu.

"Não há como imaginar que o homem que liderou o massacre pode ter legitimidade para liderar. O direito de liderar um país não vem da tortura, mas do consenso popular e não sei como haveria um lugar para ele", declarou Kerry, chamando Assad e sua família de "teimosos".

Kerry acrescentou que não haveria lugar para extremistas nesse governo e acrescentou que a ascensão de grupos jihadistas vem da "intransigência do governo". "Essa revolução não começou com armas. Começou com estudantes. Foi Assad que respondeu com força."

O chanceler britânico, Wiliam Hague, saiu em apoio aos americanos, alertando que "Assad destruiu sua própria legitimidade". O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, adotou a mesma posição. Entre os sauditas, acusados de financiar a oposição, os ataques contra Assad eram explícitos. "Temos de encontrar um interlocutor do outro lado da mesa", disse o chanceler Saud al-Faisal, que acusou Assad de ser "arrogante".

Os grupos de oposição também lançaram ataques contra os representantes do governo Assad, do outro lado da mesa. "A revolução era pacífica. Mas fomos obrigados a lutar", disse Ahmad Jarba.

A fratura da comunidade internacional ficou clara com a posição radicalmente diferente de Serguei Lavrov, o chanceler russo. "Uma solução precisa ser tomada pelos sírios. São eles que precisam chegar a um acordo sobre seu futuro. Impor algo de fora fará o relógio ser atrasado", disse. O chanceler sírio, Walid Muallem, afirmou que é Assad quem "representa o povo" e referiu-se à Síria como "a dama pura e elegante" do Oriente Médio antes da guerra. O chanceler foi categórico: "Assad não sai".

Damasco condicionou então um avanço no debate a um compromisso de países da região de que pararão de financiar a oposição. Em um ataque aos sauditas e ao Catar, o chanceler apontou que esses governos "usaram petrodólares para comprar armas e inundar o país de terroristas". "São monstros na forma de humanos", atacou. "Na Líbia, falaram que Muamar Kadafi era o problema. No Iraque, era Saddam Hussein e no Egito era Hosni Mubarak", afirmou. "Diga-me como estão esses países hoje", questionou.

O chanceler ainda acusou a oposição de "traição" e de ter "se vendido". "Fomos apunhalados pelas costas", disse. Usando um discurso repleto de ofensas, o sírio acusou o Ocidente de "barbarismo" e a Turquia de se transformar em um "campo de treinamento de terroristas".

Muallem ainda acusou os EUA de "imporem a democracia com bombas". "Eles esquecem que aqueles que fazem os ataques hoje na Síria são os mesmos que atacaram Nova York em 11 de setembro de 2001". "Acordem", gritou às delegações. "O Ocidente está apoiando uma máquina de morte que chega na Al-Qaeda", alertou. "Não temos ilusão. As declarações mostraram que existe uma grande divisão" disse Lakhdar Brahimi, mediador da ONU.

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