EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

‘Revolução do pernil’: venezuelanos protestam em Caracas contra falta da carne no Natal e ano-novo

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram avenidas bloqueadas e latas de lixo queimadas; Nicolás Maduro atribuiu situação a uma sabotagem internacional

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2017 | 11h13

CARACAS - Centenas de venezuelanos protestaram em Caracas na noite de quarta-feira 27 porque não receberam do governo o pernil de porco, principal prato da ceia de Natal e ano-novo no país, uma escassez que o presidente Nicolás Maduro atribuiu a uma sabotagem internacional.

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Os protestos aconteceram nos bairros de Antímano e La Vega, zona oeste de Caracas. A Guarda Nacional monitorou as manifestações.

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Fotos de avenidas bloqueadas e latas de lixo queimadas foram divulgadas nas redes sociais. Vários internautas ironizaram a situação, que chamaram de "revolução do pernil".

Manifestações menores foram registradas nos últimos dias em Caracas e outras cidades pela ausência da carne de porco prometida pelo governo para as festas natalinas, por meio de um sistema de venda a preços subsidiados em áreas populares.

Maduro comentou na quarta-feira a situação em um discurso transmitido por rádio e televisão. "O que aconteceu com o pernil? Nos sabotaram. Posso dizer isso de um país: Portugal", disse o líder chavista.

Segundo ele, seu governo comprou "todo o pernil que havia na Venezuela" e ordenou a importação de mais peças. "Mas perseguiram nossas contas bancárias, perseguiram os dois barcos gigantes que vinham", acrescentou.

"Os portugueses se comprometeram, foram assustados pelos gringos e não enviaram os pernis", afirmou Diosdado Cabello, número dois do chavismo, em seu programa no canal estatal VTV.

O governo americano impôs sanções financeiras contra a Venezuela e proibiu que seus cidadãos e empresas negociem novas dívidas do governo e de sua estatal petroleira PDVSA, fonte de 96% das divisas que entram no país. Maduro defende que a medida prejudica as importações.

Os venezuelanos sofrem com uma severa escassez de alimentos básicos e medicamentos, além de uma inflação que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), deve superar 2.300% em 2018. / AFP

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