Robert Pratta/Reuters
Robert Pratta/Reuters

Rival de Le Pen acusa Rússia de influenciar eleição francesa 

Boatos sobre Emmanuel Macron se espalharam em redes sociais; candidato é favorito para a presidência da França

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2017 | 21h54

O partido En Marche!, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron – favorito a vencer o segundo turno das eleições francesas – acusou nesta segunda-feira, 13, o governo da Rússia de tentar intervir na disputa e lançar uma campanha contra o candidato. Na semana passada, Macron foi alvo de uma onda de rumores sobre sua sexualidade em redes sociais. 

O secretário-geral da legenda, Richard Ferrand, pediu ao Estado francês que intervenha contra “toda tentativa de ingerência de potência estrangeira” na campanha. “Há centenas, talvez milhares de ataques sobre nosso sistema digital, sobre nossa base de dados, sobre nossos sites”, afirmou Ferrand. “Isso vem das fronteiras da Rússia.” 

O partido também foi alvo de uma série de ataques cibernéticos nas últimas semanas. Uma acusação semelhante marcou a campanha de 2016 nos EUA entre Donald Trump e Hillary Clinton, quando o Partido Democrata teve e-mails hackeados e publicados pelo WikiLeaks. 

Na França, o debate tem crescido pela proximidade de dois candidatos, a extremista de direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, e o conservador François Fillon, do partido Republicanos, com o governo de Vladimir Putin. Outro fator de preocupação foram declarações do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que afirmou ter informações a respeito de Macron. 

No dia 1.º, pelo Twitter, o WikiLeaks revelou um convite para jantar enviado à campanha de Hillary Clinton por Emmanuel Macron. Em novembro, o site do movimento En Marche! já havia sido objeto de tentativas de intrusão, que aumentaram de frequência a partir de janeiro – passou a ser cotado para derrotar Marine num eventual segundo turno. 

Segundo o jornal Le Canard Enchainé, das 1922 tentativas de intrusão, 907 vieram do território da Ucrânia – cuja parte mais ao leste é controlada por grupos pró-Moscou. A ameaça de intervenção é levada a sério pelo Ministério do Interior, que organiza as eleições. 

Uma reunião do Conselho de Defesa, o órgão que reúne autoridades civis e militares da área, sob o comando do presidente François Hollande, foi marcada para este mês. O pedido foi feito pela Direção Geral de Segurança Exterior (DGSE), o serviço secreto exterior do país, que considera real o risco de intervenção no pleito.

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