REUTERS/William Urdaneta
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Roraima prepara centro para acolher venezuelanos

Imigrantes que fogem da crise econômica na Venezuela poderão ficar em abrigo para refugiados com capacidade para 200 pessoas

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2017 | 05h00

Os imigrantes e refugiados da Venezuela que entram no Brasil, em número cada vez maior, pela cidade de Pacaraima, no nordeste de Roraima, serão recebidos e abrigados em um centro de acolhimento que o governo vai instalar no município em até 45 dias. A capacidade inicial de recepção é estimada em 200 pessoas, cerca de 50 famílias.

A previsão é a de que o serviço entre em atividade com a ocupação já acima da demanda. Não será um campo de refugiados convencional, mas uma instalação que possa ser adaptada rapidamente, como um barracão ou armazém. A medida foi definida na quinta-feira, na capital, Boa Vista, em reunião reservada da governadora Suely Campos (PP-RR) com o general Gustavo Henrique Dutra, comandante da 1.ª Brigada de Selva, o prefeito de Pacaraima, Juliano Torquato, e representantes da Casa Civil da Presidência da República. 

O Exército realizará as obras no complexo chamado de Abrigo Transitório, e o custo foi estimado em R$ 800 mil. Serão instaladas 75 barracas externas, cada uma destinada a abrigar de oito a dez ocupantes. O prédio vai passar por uma ampla reforma para ser utilizado como centro de acolhimento. 

O edifício receberá uma cozinha comunitária, sanitários e um pequeno ambulatório. A segurança não será feita pela tropa. Os refugiados não poderão permanecer nas barracas durante o dia. Na primeira fase do programa, o governo do Estado vai oferecer serviços de saúde, apoio para obtenção de documentos, regularização da situação no País e encaminhamento para postos de trabalho. Eventualmente, o projeto crescerá até o teto de 800 imigrantes, disse ontem ao Estado um assessor da governadora.

Segundo o governo federal, em um ano, de novembro de 2015 a novembro de 2016, passaram pela fronteira cerca de 58 mil pessoas – 15% desse total não regressou para a Venezuela, fugindo da situação de colapso vivida pelo país vizinho. 

Ontem, a governadora Suely Campos esteve em Pacaraima para escolher o local e debater a alocação de recursos. A cidade tem apenas 11 mil habitantes e acusa um movimento de 500 pessoas por dia, em média, no eixo da rodovia que faz ligação com a vizinha Santa Elena de Uairén, do outro lado da fronteira. A maioria limita-se a fazer compras – arroz, feijão, milho, macarrão, enlatados, carne e frango congelados, mais a linha de higiene, artigos raros no território venezuelano. Os que se aventuram a ficar enfrentam uma agenda de incertezas. 

Um voluntário da Igreja Católica, que participa do movimento que serve um sopão aos refugiados, relata que, sem serviços de assistência social aos quais recorrer, os clandestinos não têm onde ficar. Dormem nas praças e ruas – ele já contou 154 deles, quase todos índios, ocupando uma área próxima da estação rodoviária local. 

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