AFP PHOTO / Karim SAHIB
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Rotina familiar da Casa Branca é teste logístico 

A presidência de Trump mal completou um mês e o elaborado e atípico estilo de vida da nova primeira família americana já está levando o Serviço Secreto e os oficiais de segurança a um esforço excessivo

The Washington Post, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2017 | 18h52

Hoje, o presidente Donald Trump e sua comitiva embarcaram para o terceiro fim de semana para o complexo/refúgio de frente para o oceano Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida. 

Amanhã, seus filhos Eric e Don Jr., com todo o aparato do Serviço Secreto, estarão a mais de 12 mil quilômetros de distância, nos Emirados Árabes Unidos, participando da abertura de um resort de golfe com a marca Trump, na Beverly Hills de Dubai. 

Enquanto isso, a polícia de Nova York continuará monitorando a Trump Tower em Manhattan, a casa escolhida pela primeira-dama, Melania Trump, e o filho Barron. E o pequeno município de Bedminster, New Jersey, está se preparando para a perspectiva assustadora de servir como uma espécie de “Casa Branca do norte” por pelo menos dez fins de semana por ano. 

A presidência de Trump mal completou um mês e o elaborado e atípico estilo de vida da nova primeira família americana já está levando o Serviço Secreto e os oficiais de segurança a um esforço excessivo. São inúmeras as preocupações financeiras e logísticas para diversas comunidades, um trabalho que tem custado muito mais do que qualquer outro típico presidente do passado. O preço de tudo isso, com base nas referências e custos de segurança e viagens presidenciais, pode passar as centenas de milhões de dólares nos quatro anos de governo. 

Para agravar, adiciona-se aos custos e complicações a inclinação de Trump para conduzir eventos oficiais cercado de multidões, como sua decisão, no fim de semana passado, de oferecer ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, um jantar de trabalho em Mar-a-Lago, enquanto frequentadores do clube jantavam logo ao lado. 

Várias agências de governo que suportam o peso dos gastos, incluindo os departamentos de Defesa e Segurança Interna, não responderam aos pedidos do Washington Post por dados e valores dos gastos até agora desde que Trump assumiu.  Mas alguns números têm surgido, enquanto outros podem ser retirados de documentos do governo. 

As três viagens de Trump para Mar-a-Lago desde a posse, provavelmente, custou aos tesouros federais cerca de US$ 10 milhões, com base em dados utilizados em um relatório do governo sobre viagens da Casa Branca, incluindo o custo com unidades de guarda costeira para patrulhar as áreas abertas e outros gastos militares, de segurança e de pessoal, combinados com o aparato de deslocamento da presidência. 

A administração do Condado de Palm Beach planeja pedir a Washington que reponha dezenas de milhares de dólares por dia de gastos por deslocar oficiais de segurança e mobilização de trânsito em torno da pequena ilha da Flóridas todas as vezes que o presidente está na cidade. 

Em Nova York, a cidade está gastando US$ 500 mil por dia para fazer a segurança da Trump Tower, de acordo com estimativas da polícia, uma quantia que pode chegar a US$ 183 milhões por ano. 

Este mês, o Post noticiou que o Serviço Secreto e o pessoal das embaixadas americanas gastou cerca de US$ 100 mil em contas de hotel para dar apoio à viagem de Eric Trump ao Uruguai para promover um empreendimento com a marca Trump no país. 

“Essa é uma maneira muito cara de se conduzir os negócios, e o presidente deveria reconhecer isso”, disse Tom Fitton, presidente do grupo conservador Judicial Watch, que acompanhou cada detalhe dos gastos da família Obama com as viagens de férias e diz ter a intenção de continuar a fazer o mesmo na administração Trump. 

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