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AFP PHOTO / JOHN THYS

Rotina pacata é rompida por violência

Passageira relata pânico e tentativa de ajudar feridos no metrô de Bruxelas logo após explosão; ataque confirma que cidade é alvo do EI

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Andrei Netto ENVIADO ESPECIAL / BRUXELAS,
O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 21h06

Os atentados desta terça-feira, 22, em Bruxelas deixaram um rastro de destruição, mortes e de sobreviventes queimados ou mutilados que chocou pela violência não apenas a Bélgica, mas toda a Europa. As imagens registradas por circuitos de TV ou cinegrafistas amadores mostram a força das explosões suicidas, mas os relatos dos sobreviventes e de testemunhas são ainda mais contundentes. 

Um dos depoimentos mais impressionantes foi feito pela jornalista e empresária brasileira Samla da Roda, radicada há 20 anos em Bruxelas. Minutos depois de tomar conhecimento do atentado contra o aeroporto de Zaventem e tranquilizar um dos filhos por telefone, informando que estava bem e a caminho do trabalho, ela tomou uma das duas linhas de metrô que trafegam sob a Rua Art-Loi, uma das mais importantes do chamado “distrito europeu” da capital, onde se situam os escritórios da União Europeia (UE). 

Às 9h10, quando a composição já deixava a estação, Samla sentiu um impacto muito forte e o barulho surdo de uma explosão. Uma janela se desprendeu, caindo sobre seu corpo, sem provocar ferimentos graves. “O primeiro reflexo que tive no momento em que ouvi o barulho foi de proteção. Aí vi que não tinha morrido, mas veio um medo, um pânico. Não tínhamos a noção de onde a explosão havia acontecido, nem de que havia acontecido no carro de trás”, disse ao Estado na noite desta terça-feira. 

De imediato, contou a jornalista, os sobreviventes auxiliaram uns aos outros, acalmando os mais feridos. Foi ao deixar seu vagão no escuro e em meio a uma espessa nuvem de fumaça e fuligem que a brasileira presenciou o horror. “Quando eu alcancei a plataforma foi que compreendi a extensão do drama. Tinha muita gente ferida, queimada, desfigurada. Ouvi o condutor do metrô dizendo pelo rádio que havia sido um massacre e apontar com uma lanterna o caminho para sairmos da estação. Quando cheguei à calçada, havia muitos feridos e lembro de ver um braço ainda vestido caído no chão.”

Na rua, pedestres, moradores e trabalhadores da região começaram a prestar os primeiro socorros, antes da chegada da polícia e do serviço de atendimento médico de urgência. Quem já estava em seus escritórios acabou retido por várias horas. “Não ouvi o barulho da explosão, mas vi a fumaça saindo em Art-Loi, todas as viaturas de polícia, ambulância, os soldados e os bombeiros”, contou a francesa Marion Guilcher, de 26 anos. “Normalmente, uso o metrô, mas meus pais me pediram para não pegar mais depois dos ataques de Paris. Ontem, eu usei. Hoje, não. Caso contrário estaria lá, porque cheguei cinco minutos antes.”

Temor. O choque dos moradores de Bruxelas é ainda maior pela confirmação da sensação de que a cidade é um alvo potencial de atentados. Ontem, o procurador federal belga Frédéric Van Leeuw informou que três homens são procurados como suspeitos de terem participado dos atentados. 

Em blitz na região de Schaerbeek, a polícia localizou um explosivo, além de produtos químicos e de uma bandeira usada pelo Estado Islâmico. Van Leeuw informou que ainda não era possível confirmar ou descartar vínculos entre os ataques em solo belga e os atentados de 13 de novembro em Paris. A hipótese é forte porque na sexta-feira um dos terroristas da capital francesa, Salah Abdeslam, foi preso no bairro de Molenbeek, enquanto outros quatro suspeitos seguem foragidos. Entre eles está Najim Laachraoui, considerado o fabricante dos explosivos.

Para o primeiro-ministro da Bélgica, Charle Michel, os ataques eram previsíveis. Nos últimos dias, a ameaça iminente havia sido identificada pelo serviço secreto belga, sem que os alvos pudessem ser identificados. “O que temíamos aconteceu. Nosso país e nossos concidadãos foram atingidos.”

O premiê britânico, David Cameron, advertiu que o risco de atentados não se limita a Bruxelas e Paris, mas é forte em capitais como Londres ou Berlim. / COLABOROU RENATO MACHADO, ESPECIAL PARA O ‘ESTADO’

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