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Rotina pacata é rompida por violência

- Atualizado: 22 Março 2016 | 21h 14

Passageira relata pânico e tentativa de ajudar feridos no metrô de Bruxelas logo após explosão; ataque confirma que cidade é alvo do EI

Os atentados desta terça-feira, 22, em Bruxelas deixaram um rastro de destruição, mortes e de sobreviventes queimados ou mutilados que chocou pela violência não apenas a Bélgica, mas toda a Europa. As imagens registradas por circuitos de TV ou cinegrafistas amadores mostram a força das explosões suicidas, mas os relatos dos sobreviventes e de testemunhas são ainda mais contundentes. 

Um dos depoimentos mais impressionantes foi feito pela jornalista e empresária brasileira Samla da Roda, radicada há 20 anos em Bruxelas. Minutos depois de tomar conhecimento do atentado contra o aeroporto de Zaventem e tranquilizar um dos filhos por telefone, informando que estava bem e a caminho do trabalho, ela tomou uma das duas linhas de metrô que trafegam sob a Rua Art-Loi, uma das mais importantes do chamado “distrito europeu” da capital, onde se situam os escritórios da União Europeia (UE). 

Explosões fecham aeroporto e metrô de Bruxelas
AFP PHOTO / JOHN THYS
Explosões fecham aeroporto e metrô de Bruxelas

Polícia belga estava em alerta para possíveis represálias por conta da prisão de um dos principais suspeitos de ter comandado os atentados em Paris em 2015. Leia mais

Às 9h10, quando a composição já deixava a estação, Samla sentiu um impacto muito forte e o barulho surdo de uma explosão. Uma janela se desprendeu, caindo sobre seu corpo, sem provocar ferimentos graves. “O primeiro reflexo que tive no momento em que ouvi o barulho foi de proteção. Aí vi que não tinha morrido, mas veio um medo, um pânico. Não tínhamos a noção de onde a explosão havia acontecido, nem de que havia acontecido no carro de trás”, disse ao Estado na noite desta terça-feira. 

De imediato, contou a jornalista, os sobreviventes auxiliaram uns aos outros, acalmando os mais feridos. Foi ao deixar seu vagão no escuro e em meio a uma espessa nuvem de fumaça e fuligem que a brasileira presenciou o horror. “Quando eu alcancei a plataforma foi que compreendi a extensão do drama. Tinha muita gente ferida, queimada, desfigurada. Ouvi o condutor do metrô dizendo pelo rádio que havia sido um massacre e apontar com uma lanterna o caminho para sairmos da estação. Quando cheguei à calçada, havia muitos feridos e lembro de ver um braço ainda vestido caído no chão.”

Na rua, pedestres, moradores e trabalhadores da região começaram a prestar os primeiro socorros, antes da chegada da polícia e do serviço de atendimento médico de urgência. Quem já estava em seus escritórios acabou retido por várias horas. “Não ouvi o barulho da explosão, mas vi a fumaça saindo em Art-Loi, todas as viaturas de polícia, ambulância, os soldados e os bombeiros”, contou a francesa Marion Guilcher, de 26 anos. “Normalmente, uso o metrô, mas meus pais me pediram para não pegar mais depois dos ataques de Paris. Ontem, eu usei. Hoje, não. Caso contrário estaria lá, porque cheguei cinco minutos antes.”

Temor. O choque dos moradores de Bruxelas é ainda maior pela confirmação da sensação de que a cidade é um alvo potencial de atentados. Ontem, o procurador federal belga Frédéric Van Leeuw informou que três homens são procurados como suspeitos de terem participado dos atentados. 

Em blitz na região de Schaerbeek, a polícia localizou um explosivo, além de produtos químicos e de uma bandeira usada pelo Estado Islâmico. Van Leeuw informou que ainda não era possível confirmar ou descartar vínculos entre os ataques em solo belga e os atentados de 13 de novembro em Paris. A hipótese é forte porque na sexta-feira um dos terroristas da capital francesa, Salah Abdeslam, foi preso no bairro de Molenbeek, enquanto outros quatro suspeitos seguem foragidos. Entre eles está Najim Laachraoui, considerado o fabricante dos explosivos.

Para o primeiro-ministro da Bélgica, Charle Michel, os ataques eram previsíveis. Nos últimos dias, a ameaça iminente havia sido identificada pelo serviço secreto belga, sem que os alvos pudessem ser identificados. “O que temíamos aconteceu. Nosso país e nossos concidadãos foram atingidos.”

O premiê britânico, David Cameron, advertiu que o risco de atentados não se limita a Bruxelas e Paris, mas é forte em capitais como Londres ou Berlim. / COLABOROU RENATO MACHADO, ESPECIAL PARA O ‘ESTADO’

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