Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Internacional

Internacional » Rubio aposta em cubano-americanos

Internacional

REUTERS/Jim Young

Rubio aposta em cubano-americanos

Senador depende de vitória em seu Estado de origem para continuar na disputa contra Trump pela indicação do Partido Republicano na corrida à Casa Branca; comunidade está longe do voto uniforme conquistado por George W. Bush em 2004

0

Cláudia Trevisan, enviada especial / HIALEAH E MIAMI, EUA,
O Estado de S. Paulo

13 Março 2016 | 05h00

HIALEAH E MIAMI, EUA - Mais republicana entre todas as minorias dos Estados Unidos, a comunidade cubano-americana é uma das principais forças políticas da Flórida, o Estado que poderá definir na terça-feira o futuro da disputa interna do partido pela nomeação de seu candidato para disputar a Casa Branca na eleição de novembro.

Filho de imigrantes que saíram da ilha antes da chegada de Fidel Castro ao poder, o senador Marco Rubio tenta mobilizar esse grupo para reduzir a vantagem de Donald Trump em sua própria base eleitoral.

“Para ganhar na Flórida, vocês precisam sair para votar em índices históricos”, disse na semana passada em Hialeah, a mais cubana das cidades americanas, na qual 62% dos 220 mil habitantes têm vínculos com a ilha caribenha. 

Mas a comunidade cubano-americana está longe da posição quase uniforme que adotou em 2004, quando 78% de seus eleitores escolheram George W. Bush para presidente. 

Oito anos mais tarde, em 2012, os cubano-americanos se dividiram: 49% optaram pelo democrata Barack Obama e 47% preferiram o republicano Mitt Romney. 

O resultado refletiu uma mudança profunda na posição de uma comunidade que se aliou de maneira consistente ao mais conservador partido dos EUA, em contraste com os hispânicos em geral, que tendem a votar nos democratas. 

A grande dúvida para Rubio é se sua identidade será suficiente para fazer pêndulo do voto cubano-americano tender a seu favor em proporção que neutralize a vantagem de Trump em outros grupos. O senador de 44 anos aposta em sua própria história para seduzir os que deixaram a ilha e os seus filhos nascidos nos Estados Unidos. 

A reportagem encontrou muitos eleitores de Rubio em conversas com moradores da Pequena Havana, o enclave de Miami dominado por charutos, letreiros em espanhol e acalorados debates políticos. Mas também havia democratas que preferem Hillary Clinton ou Bernie Sanders e republicanos pouco ortodoxos que optaram por votar em Trump.

“A comunidade cubano-americana não é monolítica”, disse José Azel, do Instituto para Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami. Segundo ele, o grupo tem uma representação desproporcional na política americana, com um porcentual de senadores e deputados superior ao de sua fatia na população. 

Esse desequilíbrio nunca foi tão grande quanto na atual disputa republicana, na qual 2 dos 4 candidatos são filhos de imigrantes cubanos: Rubio e o senador Ted Cruz.

Na sexta-feira, Rubio fez um apelo a seus eleitores em Ohio, Estado que também terá votação na terça-feira, pedindo que votem em John Kasich. 

O cálculo do senador é de que Kasich, governador de Ohio, é o único capaz de frear o avanço do magnata “outsider” na votação. Em troca, eleitores de Kasich votariam em Rubio na Flórida, ajudando o senador a garantir vitória em seu Estado de origem. 

A ideia do “voto útil” mostrou o grau de preocupação que toma a cúpula do Partido Republicano e os rivais de Trump na disputa pela indicação. O bilionário de Nova York lidera as pesquisas nos dois Estados da terça-feira e as vitórias, segundo muitos analistas, poderiam tornar irreversível a indicação dele para a candidatura à presidência na convenção nacional dos republicanos, marcada para julho.

A tensão transbordou na noite de sexta-feira e no início da madrugada de sábado, quando apoiadores de Trump e manifestantes contrários às ideias do candidato entraram em confronto antes de um comício do bilionário em Chicago. O evento foi cancelado por motivos de segurança e a polícia precisou intervir para conter as brigas, que começaram a se espalhar pelas ruas do entorno.

“Depois de se reunir com as forças da ordem, (Trump) decidiu que, para garantir a segurança de milhares de pessoas reunidas e nos arredores do local do comício, o encontro foi adiado para uma outra data”, afirmou a equipe de campanha do candidato em comunicado após a confusão. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.