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EFE/Jim Lo Scalzo

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Rubio prega ‘voto útil’ em Kasich para tentar bloquear ascensão de Trump

Em movimento que reflete desespero da cúpula do Partido Republicano com a liderança do magnata na corrida eleitoral à presidência dos EUA, senador pede a seus eleitores que votem no rival nas prévias de Ohio, enquanto espera vencer em seu Estado

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Cláudia Trevisan ENVIADA ESPECIAL / MIAMI ,
O Estado de S. Paulo

12 Março 2016 | 07h00

Em segundo lugar nas pesquisas em seu próprio Estado, o senador Marco Rubio apelou ontem ao voto útil dos republicanos contra Donald Trump e defendeu que seus eleitores votem no adversário John Kasich em Ohio, enquanto seguidores de Kasich e Ted Cruz optem por seu nome na Flórida. “John Kasich é o único que pode bater Donald Trump em Ohio”, afirmou. “Eu sou o único que pode bater Trump na Flórida.” 

Com a terceira maior população dos EUA, a Flórida se transformou no principal campo de batalha entre o establishment republicano e o azarão Trump. O enfrentamento terá seu capítulo crucial na terça-feira, quando eleitores de Flórida, Ohio e outros três Estados escolherão seus candidatos para representar o partido na eleição presidencial de novembro.

A defesa do voto útil é uma tentativa desesperada de Rubio de evitar uma derrota humilhante para Trump no Estado onde começou sua carreira política, há 16 anos. Em 2010, o filho de imigrantes cubanos obteve metade dos votos da Flórida em sua eleição para o Senado com um discurso de combate à imigração ilegal. A posição conservadora rendeu o apoio do Tea Party, movimento de extrema direita do Partido Republicano que também levou Cruz ao Senado.

Eleito, Rubio se afastou das bases e se tornou um dos negociadores da reforma do sistema de imigração que abria caminho à cidadania para os 11 milhões de pessoas que vivem sem documentos nos EUA. O projeto foi aprovado no Senado, em meados de 2013, mas morreu na Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos.

O apoio à mudança se tornou um dos pontos fracos de Rubio em uma eleição na qual a situação dos imigrantes está sob os holofotes, graças à proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México e expulsar os milhões de indocumentados do país.

“O tema central dessa eleição é a economia. O tema dos imigrantes é um reflexo disso, por afetar a questão do emprego”, disse o analista Brian Crowley, que há 20 anos escreve sobre a política da Flórida. “Há um forte sentimento de insegurança econômica.”

Apesar de sua retórica contrária aos imigrantes, Trump lidera as pesquisas na Flórida, onde 20% da população nasceu fora dos EUA, principalmente na América Latina. Desse universo, 52% se tornaram cidadãos e poderão votar nas primárias. 

A maior parte dos imigrantes se concentra no sul do Estado, onde o espanhol é tão ou mais comum que o inglês. Miami é a principal referência dessa região cosmopolita, etnicamente diversa e de maioria democrata. 

Essa é a cidade da Pequena Havana e da influente comunidade cubana de onde Rubio saiu. Parte do impulso à candidatura de Trump vem do norte da Flórida, mais conservador, mais branco e mais religioso. Foi lá que Rubio obteve muitos de seus votos em 2010 com seu discurso anti-imigração. E é lá que agora ele vê a erosão de seu apoio em favor de Trump e de Cruz.

A imagem de Rubio junto a seus eleitores também foi afetada pela pouca assiduidade como parlamentar. O senador está entre os que mais faltam a sessões. E o tempo livre não foi utilizado no cultivo de laços com seus eleitores da Flórida. “Nós tivemos muita dificuldade em convencê-lo a visitar suas bases”, disse à Bloomberg Politics o presidente do condado de Palm Beach, o republicano Michael Barnett.

Rubio conta com apoio dos grandes financiadores republicanos no confronto com Trump. Milhões de dólares estão sendo gastos em anúncios com ataques ao bilionário, em uma escala poucas vezes vista na política americana. Ainda assim, Trump se mantém em primeiro lugar nas pesquisas. Se vencer a disputa na Flórida, ele levará todos os 99 delegados do Estado.

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