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Rússia diz que Síria concorda em abrir corredores humanitários

MICHELLE NICHOLS - REUTERS

17 Junho 2014 | 21h 47

A Rússia afirmou nesta terça-feira que obteve aprovação da Síria para abrir quatro pontos de passagem nas fronteiras com Iraque, Jordânia e Turquia para levar ajuda a milhões de pessoas sob uma "fórmula de longo alcance" proposta aos membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, se recusou a falar sobre a fórmula, mas diplomatas familiarizados com o plano disseram que envolvia o uso de monitores internacionais para inspecionar os comboios de ajuda humanitária que entram na Síria.

Os membros do conselho com poder de veto -- Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia -- têm negociado uma resolução humanitária elaborada por Austrália, Luxemburgo e Jordânia para aumentar a ajuda à Síria, incluindo através das fronteiras controladas pelos rebeldes.

A Rússia apresentou a sua fórmula para esses sete países nesta terça-feira. Churkin disse que a Síria havia aceitado o plano de Moscou para abrir os quatro pontos de passagem fronteiriços sugeridos no texto do projeto.

"É uma abordagem bastante inovadora para fazer as coisas. Assim, esperamos que vai funcionar e esperamos que ajude as agências humanitárias a trabalhar no terreno na Síria, inclusive em áreas que não são controladas pelo governo", disse ele.

"É uma fórmula de longo alcance que permitirá abrir esses quatro pontos de passagem que as agências humanitárias estavam interessadas??", Churkin disse a repórteres, acrescentando que espera que o projeto de resolução possa ser adotado nos próximos dias.

Mas diplomatas ocidentais disseram que precisam de tempo para analisar a proposta da Rússia e consultar o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários se a iniciativa poderá funcionar em solo.

Um projeto de resolução ainda tem de ser distribuído aos outros sete membros do conselho antes de uma votação.

O Conselho de Segurança alcançou uma unidade rara ao aprovar por unanimidade uma resolução em fevereiro que exigia um acesso rápido, seguro e sem obstáculos de ajuda na Síria, onde uma guerra civil de três anos já matou mais de 150 mil pessoas.

Mas essa resolução não foi capaz de fazer a diferença, disseram funcionários da ONU. A organização internacional diz que cerca de 9,3 milhões de pessoas na Síria -- metade da população do país -- precisam de ajuda, enquanto outras 2,5 milhões fugiram do conflito.