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Rússia projeta nova base e envia caças de ponta à Síria

Forças especiais ficarão estacionadas em Al-Shairat e uma grande ofensiva deve ocorrer até o fim de março

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Roberto Godoy ,
O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2016 | 03h00

A força expedicionária da Rússia na guerra da Síria, vai ter três bases próprias - uma delas, a terceira, capaz de receber até 100 aviões e abrigar tropas de terra - os spetsnaz, fuzileiros treinados para atuar sob condição crítica, violenta. Será, ainda, o núcleo de concentração dos soldados da OMS, ou Companhia Wagner, mercenários russos obrigatoriamente contratados como seguranças dos centros militares, de autoridades locais e de pontos sensíveis, como centrais de geração de energia.

Há cinco dias, estão em Hmeimim quatro caças Su-35S novos em folha, recém saídos da fábrica do consórcio Komsomolsk. É o mais poderoso jato de ataque da aviação russa, capaz de voar a 2.400 km/h e levar mísseis de vários tipos, bombas inteligentes, foguetes e cargas explosivas até 8,5 toneladas. O radar de bordo pode localizar 15 alvos a até 400 km, priorizá-los pelo grau de ameaça, selecionando armamento adequado contra os seis de maior risco.

O local da nova base é Al-Shairat, na região central do território sírio. A instalação é prioritária. No local, funciona um grupamento aéreo da Síria que vai ser transferido para Damasco. A reforma precisa estar pronta em, no máximo, três semanas. O Ministério da Defesa russo estaria preparando uma vasta ofensiva aérea para essa época, o fim de março, o que exigiria um centro de comando, inteligência e controle.

A posição de Al-Shairat é estratégica, próxima de Homs, um polo financeiro que continua funcionando regularmente mesmo sob as circunstâncias críticas do conflito. O chefe militar de Moscou na Síria, general Alexandre Dvornikov, anunciou a expansão da base aeronaval de Tartus, no Mediterrâneo. É uma herança da ex-União Soviética mantida há 45 anos e vai para receber, “em caso de necessidade”, flotilhas de suporte às ações de combate.

As principais instalações de sustentação da intervenção russa na luta contra o Estado Islâmico e as milícias de oposição armada ao regime do presidente Bashar Assad funcionam em Hmeimim, em Latakia.

Matador. À disposição desse centro há 57 bombardeiros - cinco deles, imensos Tupolev-160, originalmente planejados para executar bombardeios nucleares -, ao menos oito Sukhoi-34, avançados caças táticos de ataque ao solo, 17 helicópteros, um jato de alerta avançado Il-20M, e três baterias de defesa antiaérea, uma das quais do tipo S-400, a mais moderna do arsenal russo, para derrubar aeronaves no limite de 40 km a 400 km.

Desde que um Su-24 foi abatido por um F-16 americano, interceptador, usado pela Turquia, os esquadrões de destruição voam escoltados por dois Su-30, preparados para bombardear objetivos em terra.

O advento dos Su-35S aumenta o poder de fogo russo e dá dimensão à disposição política da tropa mobilizada pelo presidente Vladimir Putin em resposta ao pedido de apoio militar de Assad. Os quatro supersônicos foram entregues pelo fornecedor à força russa em dois lotes, entre outubro e novembro. Passaram por testes de aceitação durante oito semanas e foram em seguida deslocados para Hmeimim. 

Cada um deles representa o estado da arte da indústria aeronáutica militar da Rússia. Nos Estados Unidos, o Departamento de Defesa usa o Su-35S nas simulações eletrônicas de treinamento em combate dos pilotos do F-22 Raptor, o caça mais sofisticado do mundo.

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