EFE/Sergei Chirikov
EFE/Sergei Chirikov

Rússia quer de volta casas que EUA tomaram por espionagem

Chanceler russo diz que precondições para a devolução são inaceitáveis

O Estado de S.Paulo

17 Julho 2017 | 19h31

MOSCOU - O chanceler russo, Serguei Lavrov, qualificou nesta segunda-feira de "um roubo à luz do dia" as tentativas do governo americano de impor precondições para devolver as propriedades diplomáticas da Rússia em Nova York e Maryland, informou a agência RIA.

Em dezembro, o então presidente Barack Obama ordenou a apreensão das duas sedes diplomáticas e a expulsão de 35 diplomatas russos por seu envolvimento nas ações de hackers durante as eleições presidenciais de novembro, algo que a Rússia negou veementemente.

O vice-chanceler russo, Serguei Ryabkov, se reuniria nesta segunda-feira em Washington com o subsecretário de Estado, Thomas Shannon, para discutir sobre o impasse diplomático. O Kremlin disse esperar que o governo de Donald Trump use a sabedoria política para resolver a disputa.

O encontro deveria ter sido realizado em junho em São Petersburgo, mas foi cancelada depois que o governo americano acrescentou 38 indivíduos e organizações a sua lista de sancionados pelas ações da Rússia na Ucrânia.

"Como você pode tomar uma propriedade que é protegida por um acordo bilateral, intergovernamental e para devolvê-la age de acordo com o princípio 'o que é meu é meu e o que é seu nós podemos dividir'", questionou Lavrov durante uma visita à Bielo-Rússia. O chanceler também disse que o sentimento anti-Rússia nos EUA não queria dizer que Moscou e Washington não estavam de acordo em importantes questões globais.

A Rússia diz que muitos espiões americanos atuam em Moscou sob a cobertura diplomática e poderia expulsar alguns deles como retaliação pelo incidente. O governo russo disse que tudo dependerá do resultado do encontro entre Ryabkov e Shannon.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov disse que qualquer precondição será inaceitável e a negativa de Washington de devolver as propriedades será tratada sob a lei internacional, sem dar detalhes quais seriam os próximos passos.

As propriedades tomadas pelos EUA são uma mansão em Maryland, comprada durante a guerra fria. Ela fica em uma área de 18 hectares e geralmente é usada pelos diplomatas para recreação. Mas ela também tem um sofisticado sistema de comunicações que, segundo funcionários americanos, poderia ser usado em espionagem. A outra é uma mansão com 49 quartos em Glen Cove, Long Island, cercada por uma floresta. / AFP

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