AP Photo/Dmitri Lovetsky
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Rússia quer melhorar relação com EUA e retomar cooperação antiterrorista

Para Kremlin, turbulência política em Washington está atrasando a retomada de um relacionamento melhor entre os dois países; Putin defende a importância do restabelecimento das comunicações entre agências de inteligência

O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2017 | 12h40

MOSCOU - O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, disse que o país está preparado para melhorar os laços com o Pentágono, mas alertou que isso pode não acontecer se os americanos buscarem cooperar a partir de uma "posição de força", segundo a agência de notícias TASS.

"Estamos prontos para retomar a cooperação com o Pentágono, mas a tentativa de construir um diálogo com a Rússia a partir de uma posição de força será fútil", disse Shoigu.

O Kremlin destacou que a turbulência política nos EUA está atrasando a retomada de relações melhores entre Washington e Moscou, que são necessárias para se lidar com problemas globais. "Esperamos que, mais cedo ou mais tarde, o processo comece a retomar uma relação de negócios normal com Washington", disse o porta-voz do governo, Dmitri Peskov, em uma teleconferência com repórteres. "Estamos perdendo tempo em termos de resolver problemas globais. Porque há muitos deles que são de um tipo que nem os EUA nem a Rússia podem resolver de forma eficaz sozinhos.”        

Peskov respondia a uma pergunta sobre uma possível investigação dos EUA sobre a renúncia de Michael Flynn, conselheiro de Segurança Nacional do presidente americano, no episódio mais recente de polêmicas na Casa Branca. Ele disse não ter conhecimento dos pedidos de inquérito e apontou que se trata de um assunto interno do país.

Cooperação. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira, 16, que é do interesse tanto da Rússia quanto dos EUA restabelecer as comunicações entre suas respectivas agências de inteligência.

"É do interesse de todos retomar o diálogo entre as agências de inteligência dos EUA e de outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)", afirmou ele em um discurso ao Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, na sigla em russo). "Está absolutamente claro que, na área de contraterrorismo, todos os governos e grupos internacionais relevantes deveriam trabalhar juntos".

Putin também pediu que seja retomada a cooperação antiterrorista com os EUA e outros países-membros da Otan, e denunciou a existência de "exércitos de terroristas" no Oriente Médio, na África e na Ásia. "O reatamento do diálogo com os serviços secretos dos EUA e de outros países-membros da Otan é mutuamente benéfico", disse ele.

Na opinião do chefe do Kremlin, "a simples troca de informação sobre os canais e as fontes de financiamento dos terroristas e as pessoas envolvidas ou suspeitas de terrorismo aumenta consideravelmente a eficácia dos esforços conjuntos".

Além disso, Putin voltou a insistir que "não é culpa" do Kremlin que os contatos em matéria antiterrorista entre a Rússia e o Ocidente tenham sido suspensos, em alusão ao fato de EUA e Otan terem congelado os diálogos após a anexação russa da Crimeia e a interferência de Moscou no conflito na Ucrânia.

O presidente russo denunciou que "exércitos de terroristas" são patrocinados, seja de maneira aberta ou secreta, por diferentes governos, motivo pelo qual "prosseguem conflitos violentos em uma série de países de Oriente Médio, Ásia e África", frisou. "Em 2016, a situação no mundo não melhorou, nem se tornou mais tranquila. Pelo contrário, muitas das ameaças vigentes aumentaram", opinou Putin.

Em particular, o chefe do Kremlin mencionou o acirramento da rivalidade entre diferentes potências mundiais e regionais, tanto no plano político, como no militar e econômico. / REUTERS e EFE

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