AFP/KCNA
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Rússia rejeita apelo dos EUA para romper vínculos com a Coreia do Norte

Chanceler russo declara que recurso das sanções econômicas se esgotou e processo político para estabelecimento de negociações não foi alcançado; China também reluta em punir Pyongyang por teste de míssil

O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2017 | 12h28

MINSK - O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou na quainta-feira, 30, que Moscou rejeitou o pedido dos Estados Unidos para interromper os vínculos comerciais e diplomáticos com a Coreia do Norte, em represália ao mais recente lançamento norte-coreano de um míssil intercontinental. O chanceler russo também acusou Washington de “provocar” Pyongyang.

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As declarações de Lavrov praticamente inviabilizam uma ação diplomática conjunta internacional contra a Coreia do Norte. Para conseguir ampliar as sanções internacionais na ONU, o governo de Donald Trump precisa do apoio de China e de Rússia, que têm poder de veto no Conselho de Segurança. 

“Em várias ocasiões, destacamos que a pressão das sanções se esgotou e as resoluções que determinaram as sanções implicavam necessariamente na retomada de um processo político e na volta das negociações”, afirmou o Lavrov durante viagem a Minsk, capital da Bielo-Rússia. “Os americanos ignoram estas exigências. Isto é um grande erro.”

O chefe da diplomacia russa afirmou ainda que “as ações recentes dos Estados Unidos parecem ter sido dirigidas deliberadamente para provocar reações radicais de Pyongyang”. “Parece que tudo está armado para irritar Kim Jong-un”, disse Lavrov. 

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Após o novo lançamento de um míssil intercontinental, na quarta-feira, o governo dos Estados Unidos pediu a toda comunidade internacional, especialmente à China, o rompimento dos vínculos comerciais e diplomáticos com a Coreia do Norte.

Em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada em reação ao lançamento norte-coreano, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, ameaçou “destruir completamente” o regime de Kim “em caso de guerra”.

“Nunca buscamos uma guerra contra a Coreia do Norte, e ainda hoje não a buscamos. Mas, se ocorrer uma guerra, será em razão de atos continuados de agressão”, disse Haley. “O lançamento de um míssil balístico nos deixa perto de uma guerra. E não resta dúvida de que a Coreia do Norte será completamente destruída.”

Lavrov criticou ainda na quinta-feira, dia30,o tom agressivo da diplomacia americana. “Os americanos precisam explicar o que eles desejam. Se estão buscando um pretexto para destruir a Coreia do Norte, devem afirmar isso claramente”, declarou o chanceler russo.

Pequim. Principal parceira econômica do regime norte-coreano, a China ainda não se pronunciou oficialmente a respeito do lançamento de quarta-feira. Após o teste, os EUA pediram a Pequim que suspenda totalmente o fornecimento de petróleo para Pyongyang, mas o governo chinês tem relutado em aplicar essa sanção.

Em setembro do ano passado, uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU impôs uma limitação no fornecimento de produtos refinados. A China é praticamente o único país que fornece petróleo à Coreia do Norte.

Na quinta-feira, dia 30, a imprensa estatal chinesa informou que a Casa Branca ganhou um aliado improvável para tentar convencer Pequim. O ex-presidente Barack Obama se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, com a intenção de melhorar as relações entre os dois países. 

A reunião ocorreu na quarta-feira – antes do teste norte-coreano. Obama viajou para a China como parte de uma série de conferências. Ele teria assegurado a Xi que está disposto a ter um papel positivo na cooperação entre os dois países. 

Pequim

Principal parceira econômica do regime norte-coreano, a China ainda não se pronunciou oficialmente a respeito do lançamento da quarta-feira. Após o teste, os EUA pediram a Pequim que suspenda totalmente o fornecimento de petróleo para Pyongyang, mas o governo chinês tem relutado em aplicar essa sanção.

Em setembro do ano passado, uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU impôs uma limitação no fornecimento de produtos refinados. A China é praticamente o único país que fornece petróleo à Coreia do Norte.

A embaixadora americana nas Nações Unidas afirmou que suspender o fornecimento do insumo a Pyongyang "seria decisivo em meio aos esforços mundiais para frear" o regime de Kim. / AFP  

 

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