Pavel Golovkin/Pool/EFE
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Rússia suspende acordo com EUA para evitar choques em espaço aéreo sírio

Kremlin alertou que iniciativa de Donald Trump é um 'ato de agressão contra um Estado soberano' e pode representar um 'golpe significativo nas relações entre americanos e russos'

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2017 | 06h37

GENEBRA – O governo russo indicou que suspendeu o acordo que tinha com os EUA de coordenar ações militares na Síria para evitar qualquer tipo de choque entre aeronaves que estejam no espaço aéreo do país em conflito. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convocou uma reunião com seu conselho de segurança nesta sexta-feira, 7, para debater a ação americana, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

A iniciativa é uma resposta aos ataques americanos contra uma base aérea síria. O entendimento entre militares das duas potências teria como objetivo permitir que ambos pudessem lutar contra o terrorismo, sem que a aviação russa ou americana fossem afetadas por disparos.. A cada operação contra grupos terroristas, americanos e russos trocavam informações sobre a trajetória de seus ataques, suas posições e seus alvos.

O temor era de que, sem essa coordenação, pudessem ocorrer incidente, levando a uma escalada militar entre os dois governos que, no cenário sírio, tomam posições diferentes em relação ao presidente, Bashar Assad. 

Em sua primeira reação aos ataques do governo americano na Síria, o Kremlin alertou na manhã desta sexta-feira que considerou a iniciativa do líder americano, Donald Trump, como um “ato de agressão contra um Estado soberano” e alertou que pode representar um “golpe significativo nas relações entre americanos e russos, que já estavam em uma situação deplorável”.

Principal aliado do regime de Bashar Assad, o presidente russo, Vladimir Putin, vinha rejeitando dar seu voto a uma resolução no Conselho de Segurança da ONU para condenar os ataques químicos ocorridos na Síria nesta semana. “Trata-se de uma agressão contra um Estado soberano em violação ao direito internacional e sob um falso pretexto”, disse Peskov. Para ele, a questão das armas químicas não está provada. 

Moscou insiste que a Síria não conta com armas químicas e sua destruição, desde 2013, foi monitorada por observadores internacionais.  Para ele, não existe dúvida de que o ato terá consequências nas relações entre a Casa Branca e o Kremlin, às vésperas de uma reunião entre ministros dos dois países. 

Há ainda uma contradição entre as informações sobre até que ponto russos e americanos trocaram informações sobre o ataque, antes de sua realização. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, indicou que “não houve discussão com Moscou ou contato, e nem depois dos ataques”.

Mas o Pentágono indicou que a Rússia havia sido alertada antes, por meio de canais militares. De acordo com o porta-voz do órgão, Jeff Davis, Moscou foi informada “em múltiplas conversas” durante o dia de quinta-feira 6. “Existiam russos na base (atacada) e tomamos medidas extraordinárias para não atingir as áreas onde os russos estão”, disse. / com REUTERS

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