John Vizcaino/Reuters
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Santos diz que acordo com Farc é ‘irreversível’ e será assinado ainda em 2016

Presidente da Colômbia evitou estipular datas para assinar o documento pois, segundo ele, suas projeções anteriores foram mal interpretadas. Ponto que permanece pendente é o do cessar-fogo definitivo, deposição das armas e desmobilização dos guerrilheiros

O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 11h52

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse na segunda-feira que o processo de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), apesar dos tropeços, é "irreversível" e será assinado ainda neste ano.

"O acordo será assinado neste ano definitivamente, mas o mais rápido possível", afirmou Santos em entrevista. O objetivo inicialmente proposto era firmar o tratado no dia 23 de março, mas não foi alcançado.

O chefe de Estado evitou citar possíveis datas para a assinatura do acordo porque disse que há cinco anos, quando começaram os contatos com as Farc que levaram aos diálogos em Cuba, suas projeções foram mal interpretadas.

"O que acontece é que há cinco anos, quando me perguntaram 'como o senhor vê este processo em termos de tempo', eu disse que desejaria que fossem meses e não anos, e isso foi deturpado para dizer que eu tinha prometido que levaria meses, e não anos", afirmou.

Santos afirmou que "o processo vai caminhando normalmente" e acrescentou que está convencido de que o mesmo "é irreversível". "Se houver vontade, podemos concluir (o processo) relativamente em pouco tempo para poder implementar os acordos o mais rápido possível".

O chefe de Estado explicou que "é muito importante" a agilidade neste aspecto, já que a experiência adquirida em outros processos de paz mostra que o melhor é "não permitir tempo demais entre o momento de assinatura dos acordos e o momento em que os mesmos começam a ser implementados" para que não haja decepções.

As negociações com as Farc, que começaram em novembro de 2012 em Havana, já produziram acordos em quatro dos cinco pontos da agenda de negociação, e só está pendente o que trata do "Fim do Conflito", que inclui um cessar-fogo bilateral e definitivo, a deposição das armas e a desmobilização dos guerrilheiros.

Como o acordo definitivo não foi assinado na data estipulada, as partes retomaram os diálogos no início deste mês. O presidente afirmou que não está preocupado com os obstáculos surgidos em assuntos fundamentais como as áreas nas quais os guerrilheiros se concentrarão antes da desmobilização e sobre a entrega das armas.

"Você tem que estar preparado para diferentes posições da outra parte em uma negociação tão complexa como esta". "Isso faz parte da dinâmica de uma negociação e o importante é que, no final, possamos chegar aos acordos, respeitando sempre essas linhas vermelhas que eu estipulei, que respeitei desde o princípio, e isso foi muito importante", comentou Santos.

Essas "linhas vermelhas" são, por exemplo, o fato de que o modelo econômico, a doutrina militar, o futuro das Forças Armadas, entre outras questões, não fazem parte da pauta de negociações com as Farc.

"O processo foi difícil e o período pós-acordo e pós-conflito será igualmente difícil. O que temos que fazer é trabalhar muito duro para começar a construir a paz", concluiu o presidente colombiano. /EFE

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