EFE/ORLANDO BARRIA
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Santos pede agilidade nas conversas de paz e quer cessar-fogo antes do fim de 2015

Presidente colombiano pretende acabar definitivamente com o conflito até o dia 31 de dezembro; para líderes rebeldes, data limite de seis meses é inviável

O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2015 | 16h00

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu nesta quarta-feira, 28, às Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) que acelerem as conversas de paz para que ambas as partes possam declarar um cessar fogo bilateral antes do final do ano.

“Façamos esse esforço para que até 31 de dezembro possamos, por exemplo, terminar o ponto 5, o do fim do conflito, e assim decretar um cessar fogo bilateral e internacionalmente verificável a partir do dia 1 de janeiro de 2016”, disse Santos.

“Se fizermos esse esforço para avançar, como temos avançado no tema sobre o fim do conflito, pelo menos da minha parte, podemos prosseguir nessa direção”, acrescentou.

Depois de um avanço histórico no mês passado com relação às conversações de paz, Santos jurou encerrar as negociações com as Farc até o final de março. 

Os líderes rebeldes também indicaram que estão dispostos a acelerar as conversações, mas mencionaram que a data limite de seis meses é inviável, a menos que o governo mostre maior flexibilidade na mesa de negociação para abordar questões pendentes.

Violência. Quatro guerrilheiros da Frente 14 das Farc morreram e mais um ficou ferido em um combate com o exército colombiano em uma zona rural do município de Cartagena do Chairá, departamento de Caquetá, ao sul do país, informou o ministro de Defesa, Luis Carlos Villegas, nesta quarta-feira. Entre os mortos está Ana Beatriz Anturi Roso, conhecida como Mona Argenis, explicou Villegas.

Com a suspensão dos bombardeios sobre os acampamentos guerrilheiros, a violência na Colômbia relacionada ao conflito armado diminuiu ao seu nível mais baixo em 40 anos, segundo um relatório do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac), publicado em setembro.

Os militares apreenderam ainda seis armas curtas e munição, material de inteligência e documentos de interesse para a inteligência militar, acrescentou o ministro.

Villegas afirmou que com a operação foi possível desarticular a comissão de extorsão e narcotráfico da Frente 14 do Bloco Sul das Farc. A estrutura extorquia semestralmente entre 800 e 900 comerciantes, segundo o comunicado do Ministério da Defesa.

Ataque. O Exército de Libertação Nacional (ELN) admitiu na terça-feira a autoria do ataque contra uma patrulha do exército no departamento de Boyacá, no centro da Colômbia, que deixou 11 militares e um policial mortos na segunda-feira, segundo a versão oficial, e afirmou que, na realidade, são 18 mortes.

Em um comunicado, o ELN confirmou também que capturou e mantém cativos os soldados profissionais Andrés Felipe Pérez e Kleider Antonio Rodríguez, que "serão libertados nos próximos dias", e exigiu "garantias de segurança para eles do governo nacional".

Villegas já havia reportado durante a manhã o sequestro dos dois militares e sugerido que o ELN seria o responsável.

De acordo com a guerrilha, a emboscada em uma área rural do município de Güicán foi obra da frente de guerra oriental Manuel Vásquez Castaño e causou mais vítimas do que as informadas pelo Ministério da Defesa. O comunicado assinala que o ataque matou "17 soldados e um policial e deixou vários outros feridos".

Além disso, o texto garante que a ação foi "uma resposta ao alto nível de militarização e repressão em todo o país". Depois do ataque, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ordenou o aumento das ações militares contra o ELN.

Em nota divulgada hoje, o ELN afirma que está disposto "a pactuar com o governo do presidente Santos um cessar-fogo bilateral para que haja um clima favorável para antecipar os diálogos de paz". /AP e EFE

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