Sarkozy pede que UE imponha sanções à Líbia

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu hoje que a União Europeia (UE) considere a suspensão de suas relações econômicas, comerciais e financeiras com a Líbia. O motivo para isso são os violentos confrontos entre as forças de segurança do país do norte africano e manifestantes que pedem a renúncia do governante Muamar Kadafi.

AE, Agência Estado

23 Fevereiro 2011 | 09h07

Hoje, ativistas prometem mais protestos contra o governo da Líbia, em meio ao temor de uma escalada na violência. Sarkozy também pediu às lideranças líbias que iniciem rapidamente um diálogo, para que a "tragédia" atual se encerre. "A comunidade internacional não pode permanecer como espectadora diante das massivas violações aos direitos humanos", afirmou Sarkozy em comunicado.

O presidente francês pediu que sua ministra das Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie, proponha aos membros da UE que aprovem rapidamente medidas concretas contra os responsáveis pela violência. Isso poderia incluir a proibição de entrada dessas pessoas no bloco europeu e o monitoramento de suas transações financeiras, disse Sarkozy em comunicado.

A chanceler alemã, Angela Merkel, exigiu ontem que o governo da Líbia pare de usar a violência contra os manifestantes e ameaçou adotar todas as medidas possíveis, incluindo sanções, se a situação atual continuar. Também ontem, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a violência e o uso da força contra civis. Autoridades da Líbia reconhecem que pelo menos 300 pessoas morreram nos protestos iniciados na semana passada, mas grupos pelos direitos humanos afirmam que esse número pode chegar a 400.

Êxodo

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse hoje que uma estimativa realista era de que "cerca de mil pessoas foram mortas", segundo a agência Ansa. Em entrevista ao Corriere Della Sera, publicada hoje, Frattini afirmou temer um êxodo de líbios caso Kadafi seja deposto. Segundo ele, um vácuo político poderia representar até 300 mil líbios deixando o país.

Em discurso ontem, Kadafi afirmou que não renunciará, não deixará a Líbia e amaldiçoou os que tentam insuflar a rebelião. "Eu sou um guerreiro beduíno que trouxe glória para a Líbia e morrerei como um mártir", afirmou. O governante pediu que seus partidários retomem hoje os espaços das ruas ocupados pelos manifestantes. Como os oposicionistas pretendem fazer o nono dia de protestos nesta quarta-feira, há o temor de que possa haver mais confrontos e vítimas.

Uma moradora disse à rede de televisão CNN que muitas pessoas decidiram ficar em casa hoje. Segundo essa fonte, que falou de Trípoli, capital da Líbia, as forças de segurança ampliaram sua presença e há vários postos de controle, especialmente perto do centro da capital.

Há relatos de testemunhas segundo as quais o governo já não controla partes do leste do país, onde algumas cidades estariam sob controle dos manifestantes. Hoje, o embaixador da Líbia para Indonésia, Cingapura e Brunei, Salaheddin M. El Bishari, pediu demissão, informou o jornal indonésio The Jakarta Post. Vários funcionários da Líbia cortaram seus laços com o governo, em protesto contra a repressão às manifestações.

Ameaça

O Conselho de Direitos Humanos da ONU realizará uma reunião especial em Genebra, na sexta-feira, para tratar da crise na Líbia, a pedido da UE. Ontem, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que os ataques sistemáticos e disseminados contra a população civil "podem equivaler a crimes de guerra". Segundo a rede Al Jazeera, Kadafi disse em seu discurso ontem que "ainda não ordenou o uso da força". "Quando eu ordenar, tudo irá queimar", ameaçou. As informações são da Dow Jones.

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