Scioli cogita parente de Evita para área social

Rodrigo Cavalheiro

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2015 | 02h02

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

Em seu cartão de visita, Cristina Álvarez Rodríguez é secretária de governo da Província de Buenos Aires, mas seria prático se nele estivesse escrito "sobrinha-neta de Evita". Assim assessores a apresentam, esperando uma reação de espanto que nem sempre vem. Ser parente de Eva Duarte Perón tem peso, tanto que o favorito à presidência do país, Daniel Scioli, cogita dar a ela um novo cartão: o de ministra do Desenvolvimento Social.

Formada em arquitetura, Cristina foi secretária de Obras, antes de assumir o posto atual, em que articula o governo da província administrada por Scioli há oito anos com os municípios. A região, cuja capital é La Plata, é importante por concentrar 37% do eleitorado do país.

Candidata a deputada, a política de 47 anos desconversa sobre os indícios de que formará parte do gabinete "à brasileira" de Scioli - apelido dado por meios de comunicação críticos à ampliação do número de pastas prevista em seu programa.

Ontem de manhã, no Instituto Nacional de Investigações Históricas Eva Perón - Museu Evita, que preside, ela falou a correspondentes sobre uma possível transição a um governo Scioli. "A liderança de Néstor e Cristina foi muito forte e garantiu direitos. Sentimos que Scioli vai exercer uma liderança diferente, uma liderança integradora. Ele é um homem de diálogo", afirmou, traçando uma diferença de estilos diante dos questionamentos sobre a influência que Cristina teria sobre Scioli.

Os dois principais candidatos opositores, o conservador Mauricio Macri e o ex-kirchnerista Sergio Massa, insistem que ele será manipulado pela atual presidente, que deixará o cargo em 10 de dezembro após oito anos.

Pressionada a dizer o que é preciso corrigir no governo atual, a parente de Evita falou em reduzir a inflação para menos de 10% em quatro anos - é de 15% segundo o governo e de 25% de acordo com consultorias privadas.

Ela disse que não achava estranho que a colocassem em uma área fora de suas experiências anteriores, apenas pela ligação que sua tia-avó teve com a conquista de direitos sociais que marcaram o peronismo. "Ao trabalhar com cultura ou ao instalar redes de esgoto, eu também lidei com direitos sociais", disse ela ao Estado.

A atriz Eva Perón foi uma das líderes do movimento operário que, em 17 de outubro de 1945, exigiu a liberação do general Juan Domingo Perón, preso pelo governo militar ao qual serviu como ministro do Trabalho, por defender avanços em direitos trabalhistas. A data simboliza a criação do movimento.

Perón seria eleito no ano seguinte, já casado com Evita, para o primeiro de seus três mandatos. Ela morreu em 1952 de câncer, aos 33 anos, após sete de vida pública. Eles não tiveram filhos.

Evita ficou conhecida como defensora dos pobres, característica que o peronismo apresenta como função estatal e uma marca sua. A oposição diminui o papel de Evita e a critica por ter estimulado hábitos relacionados ao populismo, como distribuir bens e alimentos sem exigir esforço em troca.

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