REUTERS/Jonathan Ernst
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Porta-voz da Casa Branca renuncia na 7ª baixa do governo em seis meses

Sean Spicer discordou da nomeação feita por Trump para o cargo de diretor de Comunicações, que vinha exercendo desde a saída de Mike Dubke, em março

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 13h23
Atualizado 21 Julho 2017 | 21h40

WASHINGTON  - O presidente Donald Trump viu-se nesta sexta-feira, 21, em meio a uma nova crise após a renúncia de seu porta-voz, Sean Spicer, em desacordo com a nomeação de um novo diretor de Comunicações da Casa Branca, o executivo Anthony Scaramucci, de 53 anos. Sarah Huckabee Sanders, vice-porta-voz da Casa Branca, assumirá o cargo de Spicer.

Spicer foi o sétimo nome importante a renunciar ou ser demitido por Trump nos seis primeiros meses de governo. Dez dias depois de tomar posse, Trump demitiu a subsecretária de Justiça Sally Yates, que se recusou a defender o veto migratório do presidente.

Na sequência, vieram as saídas de Michael Flynn (assessor de Segurança Nacional), Preet Bharara (procurador federal em Nova York), Mark Corallo (coordenador de comunicação da equipe jurídica, hoje também) e a do próprio diretor de Comunicação Michael Dubke, cargo que passou a ser ocupado interinamente por Spicer desde maio. 

“Foi uma honra e um privilégio servir a Trump e ao país”, declarou Spicer no Twitter. Aos 45 anos, ele se tornou uma figura notória pelo espírito agressivo e às vezes atrapalhado com que defendeu o governo nas entrevistas coletivas na Casa Branca. 

Em abril, ele atraiu críticas ao argumentar que Adolf Hitler não usou armas químicas durante a 2.ª Guerra, em tentativa de colocar no papel de vilão o presidente sírio, Bashar Assad, que havia acabado de usar gás sarin contra civis. 

Executivo de um fundo de investimentos, Scaramucci tem a responsabilidade de recuperar a imagem da Casa Branca. De acordo com a CNN, Spicer informou a Trump que continuará no governo até agosto e sua decisão de sair seria, na verdade, uma chance para o presidente fazer uma “limpeza” em sua equipe. 

Não era apenas Spicer que se opunha ao novo diretor. Scaramucci teve uma tensa relação com o chefe de gabinete Reince Priebus, que se opôs à decisão de Trump de nomeá-lo para o cargo. Priebus chegou a vetar a indicação de Scaramucci em outras funções na Casa Branca.

Do seu lado, Scaramucci tinha a filha do presidente, Ivanka, e seu marido, Jared Kushner, além do secretário de Comércio, Wilbur Ross. Segundo o Washington Post, o presidente ficou impressionado nas últimas semanas com a frequente e dura defesa feita por Scaramucci a seu governo nas TVs americanas. 

Desde a primeira entrevista coletiva – um dia após a posse de Trump –, Spicer mostrou-se agressivo na defesa do presidente. A prática de Trump de usar o Twitter, por várias vezes, o colocou em contradição com o porta-voz. / AFP, W. POST e NYT 

 

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