Denis Poroy/EFE
Denis Poroy/EFE

Secretário de Trump passa por saia justa na Califórnia

John Kelly, chefe de Segurança Interna dos EUA, não soube definir conceito de 'cidade-santuário', um dos temas polêmicos do novo decreto anti-imigração

O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2017 | 03h35

SAN DIEGO - O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, John Kelly, revelou nesta sexta-feira, 10, a agentes policiais durante uma visita a um posto de fronteira na Califórnia que não é capaz de definir o que são as "cidades-santuário", as quais o presidente Donald Trump ameaçou de retirar fundos federais por se negarem a cooperar com as autoridades de imigração.

A ordem executiva de Trump sobre imigração assinalou que a "jurisdição santuário" desafia as leis federais ao proteger pessoas que moram nos Estados Unidos sem autorização legal e afirmou que esses municípios causam um "dano incalculável ao povo americano e a estrutura da nossa República".

Ainda que o termo "cidades-santuário" tenha sido usado para definir aqueles lugares que se negam a cooperar com o governo federal na execução de leis migratórias, ninguém do gabinete de Trump deu uma definição precisa, nem sequer as agências de ordem pública.

"Não tenho ideia", disse Kelly à chefe de polícia de San Diego, Shelley Zimmerman, quando ela lhe pediu uma definição do termo.

O general aposentado agregou que imagina ser "inconcebível" que uma cidade não queira retirar "delinquentes" de sua comunidade. "Me surpreendo quando as pessoas dizem: 'bem, não vamos cooperar com vocês nem mesmo em casos de delinquentes convictos'", afirmou.

Kelly sublinhou que seria muito difícil justificar a destinação de subsídios federais para o cumprimento de leis de imigração para cidades que se recusar a cooperar.

Fronteira. Muitas vezes, San Diego é mencionada como um exemplo de como os muros podem frear os cruzamentos ilegais de imigrantes. Porém, os críticos afirmam que as estruturas somente obrigam as pessoas a fazerem a travessia em regiões mais perigosas, nas quais muitos morrem sob intenso calor.

A região de San Diego-Tijuana, com cerca de cinco milhões de habitantes, tem a fronteira mais movimentada do país, com dezenas de milhares de motoristas e pedestres que ingressam todos os dias aos Estados Unidos. Também é um dos pontos de maior trânsito de carga.

Na quinta-feira, 9, Kelly visitou o sul do Arizona, o lugar por onde houve mais cruzamentos não autorizados entre 1998 e 2013.

O sul do Texas é, atualmente, a rota predileta de entrada nos Estados Unidos para um grande número de famílias e adolescentes da América Central.

San Diego foi a rota de maior entrada de ilegais até o final da década de 1990, quando um aumento do número de agentes na fronteira fez com que os imigrantes passassem a usar os caminhos pelas montanhas remotas e os desertos do Arizona.

A visita de Kelly às fronteiras do Arizona e da Califórnia foi a primeira dele desde que tomou posse no cargo. Na semana passada, ele foi até à fronteira no sul do Texas. / AP

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