Secretário-geral da OEA é acusado de corrupção

O presidente da Costa Rica, Abel Pacheco, enviou nesta segunda-feira, dia 4, uma notificação a Miguel Angel Rodríguez para que renuncie ao cargo de secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA) devido a uma suspeita de corrupção. Rodrigues, que foi presidente Costa Rica de 1998 a 2002, é acusado de por Pacheco de não explicar satisfatoriamente a origem de um dinheiro que um assessor diz ter sido pago pela companhia de telecomunicações francesa Alcatel em troca de um acordo de telefonia celular, quando Rodrigues ainda era presidente. O dinheiro seria um "prêmio" pelo contrato avaliado em cerca de US$ 149 milhões para o fornecimento de 400 mil aparelhos em 2001. A Alcatel venceu o contrato sem licitação em julho de 2001 porque o governo de Rodríguez queria agilizar a compra de telefones celulares. A empresa sueca Ericsson também fez uma oferta. Uma chamada telefônica anônima alertou para uma transferência de US$ 10 milhões feita no ano passado pela Alcatel para a conta da empresa de advocacia chamada Servicios Notariales Q. C.. Investigadores afirmam que US$ 2,4 milhões foram transferidos da firma para as contas num banco panamenho de Jean Gallup, mulher do diretor da companhia de energia e telefones da Costa Rica, Jose Antonio Lobo. Segundo Lobo, Rodríguez teria pedido a ele 60% do "prêmio" pago pela Alcatel. O Departamento de Estado dos EUA preferiu não se posicionar sobre o caso, afirmando "não ser pertinente" fazer comentários enquanto o caso estiver em mãos das autoridades da Costa Rica. Washington apoiou a candidatura de Rodríguez como secretário-geral da OEA, que acabou se concretizando em junho de 2004. Promotores costa-riquenhos estão investigando a participação de Rodríguez no caso e consideram a retirada de qualquer imunidade que ele possa a ter. Em entrevistas a jornais locais, Rodríguez negou qualquer conduta irregular, afirmando ter recebido apenas um empréstimo pessoal de um amigo.

Agencia Estado,

04 Outubro 2004 | 19h18

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