REUTERS/Thomas Mukoya
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Secretário-geral da ONU alerta para risco nuclear

Diante de um mundo em crise, chefe das Nações Unidas aproveita final de ano para fazer apelo a líderes por maior diálogo

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2017 | 11h51
Atualizado 31 Dezembro 2017 | 14h41

GENEBRA - O secretário-geral da ONU, António Guterres, lança um alerta: o risco nuclear atingiu seu pico em 2017 e cabe aos líderes internacionais trabalhar para reconstruir a confiança entre os governos.

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Em sua mensagem de fim de ano, o português relembrou que, há um ano, quando iniciou seu mandato, lançou um apelo à paz para 2017. "Infelizmente o mundo seguiu, em grande medida, o caminho inverso", disse. 

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"No primeiro dia do ano de 2018 não vou lançar um novo apelo. Vou emitir um alerta ao mundo", advertiu. "Os conflitos aprofundaram-se e novos perigos emergiram. A ansiedade global relacionada às armas nucleares atingiu o seu pico desde a Guerra Fria", insistiu. 

Em 2017, uma relação diplomática difícil entre EUA e Coreia do Norte elevou a tensão no cenário internacional e levou o prêmio Nobel da Paz a ser dado para uma rede de ONGs destinada a lutar por um mundo sem armas atômicas, na esperança de que o assunto do desarmamento voltasse a ser tratado de forma "responsável e coerente".

Mas o alerta da ONU também se refere à situação do planeta. "As alterações climáticas avançam mais rapidamente do que os nossos esforços para as enfrentar. As desigualdades acentuam-se", afirmou.

Para Guterres, o mundo assiste "a violações horríveis de direitos humanos". Diante do fortalecimento de grupos de extrema direita em diversos continentes, o chefe da ONU denuncia o aumento dos nacionalismos e da xenofobia.

"Somemos isso tudo - e estamos perante o paradoxo da nossa era: os desafios tornam-se globais, mas as pessoas estão cada vez mais viradas para si mesmas", constata. 

"Ao começarmos 2018, apelo à união. Acredito verdadeiramente que podemos tornar o mundo mais seguro. Podemos solucionar os conflitos, superar os ódios e defender os valores que temos em comum", defende. 

Contudo, segundo ele, tal objetivo só será atingido em conjunto. "Apelo aos líderes em todo o mundo para o seguinte compromisso de ano-novo: estreitem laços, lancem pontes. A união é o caminho. O nosso futuro depende dela."

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