Seguidor de Ghandi diz que não se acaba a violência com agressão

"O maior desafio da humanidade é resolver a violência. E o que temos que perguntar é se é possível acabar com ela usando métodos de agressão", disse hoje o presidente Fundação Gandhi pela Paz, Ravindra Varma, em uma crítica à decisão dos Estados Unidos de declarar guerra ao terrorismo. O indiano encerrou sua visita ao Brasil com uma palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.. Seguidor de Mahatma Gandhi, Varma analisou o conflito desencadeado pelos ataques aos EUA como "uma situação que está além do nosso controle e a única coisa que podemos fazer é torcer para que inocentes não sejam mortos". "A primeira guerra desse século será difícil de ser evitada." Hoje, a uma platéia composta de empresários e representantes de instituições cariocas, Varma pediu aos ouvintes que participem da construção da paz, olhando para dentro e começando a tentar aumentar seu sentimento de compaixão e de interdependência com outros seres humanos. "Temos que achar formas de tornar os jovens menos preocupados com eles mesmos e com mais compaixão pelos outros", disse. Varma falou ainda sobre a importância de encontrar métodos pacíficos para perseguir a paz. "Não fiquemos presos em círculos viciosos da guerra. Só formas pacíficas podem nos levar ao entendimento dos povos", disse. Mas ressaltou: "Não é necessário dizer que, quando existe privação, incerteza e pobreza, vai haver instabilidade e, por conseqüência, guerra". Além de abrir a posse do Conselho Consultivo do Programa Escolas da Paz (um projeto da Unesco em conjunto com o governo do Estado para tentar manter as crianças na escola e evitar violência) na sede da Firjan, Varma também participou de um encontro com cerca de 2.000 alunos de escolas públicas nos jardins do Palácio Guanabara (sede do governo estadual). Neste sábado, ele embarca de volta para a Índia.

Agencia Estado,

05 Outubro 2001 | 17h57

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