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John Kuntz/The Plain Dealer via AP

Seis policiais envolvidos na morte de dois negros desarmados são demitidos nos EUA

Autoridades de Cleveland, no Estado de Ohio, anunciaram decisão na noite de terça-feira; no caso, ocorrido em novembro de 2012, carro das vítimas foi atingido por 137 disparos

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O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2016 | 15h28

WASHINGTON - A cidade de Cleveland, no Estado americano de Ohio, demitiu seis policiais que participaram em 2012 de uma perseguição que resultou na morte de dois suspeitos afro-americanos, cujo veículo foi alvo de 137 disparos dos agentes, informaram as autoridades locais.

Em coletiva de imprensa na noite de terça-feira, o governo local detalhou as investigações sobre o caso e disse esperar que a medida represente um "encerramento", diante das tentativas de reconstruir a confiança da população na polícia de Cleveland.

"Passou muitas horas revisando as milhares de páginas das transcrições (da comunicação) dos oficiais envolvidos na ação, além de outras evidências", disse Michael McGrath, diretor de Segurança Pública da cidade ao explicar a decisão de demitir os policiais.

Para o presidente da Associação de Agentes de Patrulha da Polícia de Cleveland, Steve Loomis, a medida foi uma decisão "política", já que os agentes não tinham sido considerados culpados. "Isto não é nada mais que política. Tenho toda a confiança do mundo de que eles vão recuperar seus postos de trabalho", afirmou Loomis.

Os agentes estiveram envolvidos nas mortes dos negros Timothy Russell e Malissa Williams, um caso que gerou protestos em Cleveland e é apontado por manifestantes como mais um exemplo de abuso policial e discriminação contra as minorias por parte das forças de segurança.

No dia 29 de novembro de 2012, vários agentes da Polícia de Cleveland escutaram ruídos procedentes do veículo de Russell, acharam que eram disparos e iniciaram uma perseguição que envolveu mais de 100 agentes, e 13 deles atiraram 137 vezes contra o veículo, segundo a investigação.

Quando o carro que estavam os suspeitos já tinha parado e foi cercado pelos policiais, o agente Michael Brelo subiu no capô e disparou mais 15 vezes contra os dois cidadãos negros, que estavam desarmados.

Quando os 13 agentes foram levados diante de um júri de acusação, este não viu motivos para indiciá-los, exceto no caso de Brelo, o único que foi julgado e posteriormente absolvido, depois que o juiz considerou que não houve uso de força excessiva.

Brelo está entre os seis agentes demitidos, junto a Wilfredo Díaz, Brian Sabolik, Erin O'Donnell, Michael Farley e Chris Ereg. "Como podem demitir seis agentes quando um júri de acusação decidiu não indiciar 12 dos 13 policiais e o único que restava, Brelo, foi absolvido pelo juiz?", questionou Loomis.

Os EUA vivem um período de grande tensão entre as forças policiais e as minorias, especialmente a afro-americana, após vários episódios de violência que geraram protestos nacionais, como as mortes dos negros Michael Brown, na cidade de Ferguson, Eric Garner, em Nova York, e Freddie Gray, em Baltimore. / EFE, AP e NYT

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