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Sem apoio, Rajoy abre caminho para esquerda voltar ao poder na Espanha

- Atualizado: 22 Janeiro 2016 | 18h 30

Primeiro-ministro conservador reuniu-se com o rei Felipe VI, quando informou não ter o apoio suficiente no Parlamento para formar mínimo nem mesmo um governo de minoria; socialista Pedro Sánchez deve abrir negociações na segunda-feira

Um mês após vencer as eleições parlamentares, mas sem alcançar a maioria absoluta, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou nesta sexta-feira, 22, que não tentará mais formar um novo governo. A decisão foi tomada em razão do isolamento político do líder do Partido Popular (PP, direita), que não conseguiu apoio das outras três grandes formações para compor nem mesmo um gabinete de minoria. A decisão abre a porta para o retorno da esquerda ao poder, liderada por Pedro Sánchez em uma coalizão entre o Partido Socialista (PSOE) e o radical Podemos.

A situação de Rajoy era insustentável desde a noite de 20 de dezembro, quando seu partido, o PP, no poder havia quatro anos, chegou em primeiro lugar nas eleições legislativas, mas obtendo apenas 28,7% dos votos. Em segundo lugar acabou Sánchez, com 22%, seguido de Pablo Iglesias, do Podemos, com 20,6% e de Albert Rivera, do Ciudadanos (centro-direita), com 13,9% dos votos. A eleição marcou o fim do bipartidarismo na Espanha, que desde 1982 vivia a hegemonia de PP e PSOE.

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A fragmentação do Parlamento fez com que Rajoy elegesse apenas 123 deputados, longe do mínimo de 176 necessários para formação de um governo de maioria. Desde o primeiro momento, outros líderes informaram que não aceitariam um governo de coalizão com o conservador, marcado pelo Caso Bárcenas, um escândalo de corrupção no interior do PP, e também pela política de austeridade fiscal na Espanha, que tem um nível de desemprego acima de 20% da população ativa.

Rajoy se reuniu por uma hora e 45 minutos com o rei da Espanha, Felipe VI, para discutir o impasse político do país. No encontro, o monarca teria convidado o conservador a apresentar a sua candidatura a líder de um novo governo ao Parlamento, mesmo com minoria. Mas Rajoy reconheceu não ter o apoio do legislativo nem mesmo para um gabinete minoritário – cujo líder precisa de uma espécie de "voto de confiança" dos deputados.

Usando de um jogo de palavras contraditório, Rajoy disse que "não renuncia" e mantém sua candidatura a chefe do governo, mas não se submeterá ao voto do Parlamento. Na prática, ele cede a vez a Sánchez, na esperança de que o socialista também fracasse. "Não renuncio a nada, mantenho minha candidatura, só não tenho os apoios por enquanto", argumentou. "Não tenho os apoios para submeter-me ao voto. Não estou em condições de ter uma maioria na Câmara. Não no dia de hoje."

A decisão de Rajoy de não se submeter à votação no Parlamento é inédita desde 1978, quando a atual Constituição passou a vigorar. O conservador torna-se também o primeiro chefe de governo a não se reeleger desde 1982.

Contribuiu para a decisão do atual premiê demissionário a reunião realizada na manhã de hoje entre Pablo Iglesias e o rei Felipe VI. Ao término do encontro, o líder do Podemos informou que estaria pronto a negociar a formação de um governo de coalizão com Sánchez e o PSOE, do qual ele poderá ser vice-primeiro-ministro. "Nós decidimos tomar a iniciativa, dar um passo à frente. Nestes tempos históricos, as atitudes covardes não fazem sentido", afirmou Iglesias. "Ou nós vamos em direção a uma mudança, ou o país cairá no imobilismo e no bloqueio institucional."

Horas mais tarde, Rajoy não perdeu a oportunidade de criticar seus adversários do PSOE e do Podemos. "Esta manhã conhecemos uma candidatura que teria menos votos do que a minha", ironizou, admitindo a derrota de forma indireta. "Não teria sentido eu preparar a posse enquanto outros negociam o governo." 

De acordo com a Casa Real, o rei da Espanha convocou o presidente do Congresso para uma reunião na segunda-feira, quando será convocada uma nova rodada de consultas. Será o momento em que Sánchez, segundo lugar na eleição de dezembro, passará a ter a prioridade na formação de um novo governo.

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