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EFE/Martin Alipaz

Sem resultado oficial, oposição comemora vitória do 'não' sobre 3.ª reeleição de Evo

Pesquisas indicam derrota apertada do presidente boliviano em referendo realizado no domingo sobre reforma na Constituição 

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O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2016 | 08h55

LA PAZ - A oposição boliviana comemorou no domingo 21 a vitória do "Não", prevista pelas pesquisas de apuração rápida, no referendo que consultou sobre uma reforma constitucional para permitir ao presidente Evo Morales voltar a concorrer nas eleições de 2019.

O líder da opositora União Nacional, o empresário Samuel Doria Medina, parabenizou "o indômito povo boliviano". "Foi sepultado o projeto de transformar nosso país em um projeto de um só partido, em transformar nosso Estado em autoritário", afirmou.

O político, três vezes candidato à presidência, comparou o dia do referendo com 10 de outubro de 1982, quando jurou como presidente o político de esquerda Hernán Siles Suazo, após vários anos de ditaduras e golpes militares, inaugurando este período democrático. "Recuperamos a democracia, recuperamos o direito de escolher."

Medina pediu a Morales que "reconheça o resultado" e se dedique a trabalhar pelo país em vez de fazer campanha eleitoral, enquanto os demais opositores disseram que "não é momento de candidatos nem de divisão". "Ninguém pode se atribuir essa vitória em particular, essa é a vitória de todas e todos os bolivianos", disse Medina.

Ainda sem resultados oficiais, as primeiras pesquisas divulgadas pela imprensa boliviana dão ao "Não" entre 51% e 52,3% e ao "Sim" entre 47,7% e 49%. A diferença é tão pequena que o resultado pode ser revertido na demorada contagem oficial.

Em meio a um clima de tensão gerado por recentes casos de violência e acusações de abuso de poder, 52,3 por cento dos bolivianos votaram a favor do "Não" à reforma constitucional que permitiria a opção de uma nova reeleição, ante 47,7 por cento para o "Sim", segundo a consultoria Ipsos.

Segundo a pesquisa boca de urna Equipos Mori, o "Não" venceu com 51 por cento contra 49 por cento do "Sim", um resultado que se for confirmado na apuração obrigará Morales a deixar o poder no final do seu terceiro e atual mandato, em 2020.

Mais de 6,5 milhões de bolivianos foram convocados para o referendo, no qual se consultou sobre uma reforma constitucional para ampliar a permissão de dois para três os mandatos presidenciais consecutivos, o que possibilitaria que Evo e seu vice, Álvaro García Linera, pudessem voltar a ser candidatos.

Para o ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2002), quem votou pelo "Não" disse "não à mudança de regras para beneficiar duas pessoas que querem continuar na gestão pública". "Estamos dizendo 'Não' para não ingressar na América do Sul o vergonhoso clube venezuelano onde se mudam as regras para que desfalquem e quebrem um país como fizeram lá. Queremos que nosso país pertença ao clube das democracias sul-americanas."

Quiroga afirmou que o "Não" significa também que Evo deve cumprir seu mandato até 2020 e depois deve ir "para sua casa, como acontece em qualquer democracia que se preze". "Tomara que o presidente entenda que em pouco mais de um ano, seja qual for o resultado final, claramente perdeu entre 12 a 14 ou possivelmente mais pontos de apoio. Deveria entender perfeitamente o que está acontecendo", acrescentou, em alusão à diminuição de apoio que se registrou domingo contra 63% da votação de 2014.

O governador de Santa Cruz, o opositor Rubén Costas, afirmou que o resultado se obteve graças à "luta" e aos princípios de "todo um povo que defende a liberdade e a verdadeira justiça". /EFE e REUTERS

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