Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Senado dos Estados Unidos chega a acordo sobre orçamento

Decisão coloca fim a ciclo de crises fiscais que ameaçam paralisar o governo americano, mas ainda precisa ser aprovada na Câmara, onde enfrenta resistência dos dois partidos

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 16h32

WASHINGTON - Os líderes do Senado dos Estados Unidos chegaram a um acordo nesta quarta-feira, dia 7, para viabilizar o orçamento federal americano por dois anos, adicionando mais de US$ 200 bilhões em gastos federais. O acordo ainda precisa ser ratificado na Câmara, onde enfrenta resistência de líderes dos dois partidos.

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O acordo entre os senadores Mitch McConnell, do Kentucky, o líder da maioria republicana, e Chuck Schumer, de Nova York, o líder dos democratas, elevaria os rígidos limites impostos aos gastos militares e domésticos em vigência desde 2011 como parte de um acordo com o presidente Barack Obama.

O acordo fará com que os déficits orçamentários federais cresçam ainda mais, para além dos efeitos da revisão fiscal abrangente que os legisladores aprovaram em dezembro. O acordo viabiliza o uso de bilhões de dólares para áreas como infra-estrutura, a crise dos opióides, hospitais e pesquisa em saúde, segundo relatou uma fonte ao jornal New York Times. Também inclui ajuda financeira a alívio de desastres para áreas atingidas pelos furacões do ano passado e incêndios florestais. “Espero que possamos construir esse impulso bipartidário e tornar 2018 um ano de conquista significativa para o Congresso, para os nossos eleitores e para o país que todos amamos”, disse McConnell.

Os líderes do Senado revelaram o acordo nesta quarta-feira, dia 7, após meses de negociações - e depois que os democratas do Senado concordaram em deixar de lado as demandas sobre um acordo em relação às políticas de imigração e à situação dos chamados "dreamers",  jovens que entraram no país de forma irregular na infância, trazidos pelos pais, e que se beneficiaram por um programa, o Daca, assinado pelo ex-presidente Barack Obama, que permitiu regularizar a situação migratória de 800 mil jovens imigrantes.

O acordo ainda deve enfrentar dificuldades, particularmente na Câmara, onde os republicanos conservadores estão recusando o aumento de gastos e os democratas liberais querem mais garantias sobre a imigração.

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O anúncio do acordo ocorreu no momento em que o Congresso enfrenta mais uma ameaça de paralisação do governo, caso o acordo não seja aprovado pelas duas casas do Congresso americano até quinta-feira. Ontem, enquanto democratas e republicanos negociavam um acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não aceitaria uma proposta que não contemplasse seu projeto de muro na fronteira com o México e a alteração na concessão de vistos a estrangeiros. “Eu adoraria ver mais uma paralisação se não nos entendêssemos neste ponto”, disse Trump. 

A líder do Partido Democrata na Câmara, Nancy Pelosi, disse que não poderia concordar com nenhum acordo orçamentário que não fosse acompanhado por um debate sobre a legislação para proteger o destino dos Dreamers. / WPOST e NYTIMES

 

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