Tom Brenner/The New York Times
Tom Brenner/The New York Times

Senadores apresentam plano migratório que desafia Trump

Republicanos e democratas firmaram acordo para proteger os imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças e aumentar a segurança na fronteira com o México; projeto do presidente acaba com a loteria de vistos de residência e restringe a reunificação familiar

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 01h32
Atualizado 15 Fevereiro 2018 | 09h19

WASHINGTON - Um grupo de senadores republicanos e democratas firmou um compromisso na quarta-feira 14 para proteger os "dreamers" - imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças - e aumentar a segurança na fronteira, desafiando a dura postura do presidente americano, Donald Trump.

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O compromisso, alcançado após várias horas de negociações a portas fechadas, foi anunciado quando o destino de 1,8 milhão de imigrantes entra em um momento crucial no debate sobre uma reforma migratória.

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Trump aumentou a pressão na quarta-feira sobre o Senado, que deve chegar a um consenso sobre um vasto projeto de reforma da lei de imigração até sexta-feira. Dois projetos de lei, o do presidente e o bipartidário, estão sobre a mesa. A dúvida é qual deles conseguirá o apoio de 60 dos 100 senadores antes do fim de semana.

A medida bipartidária, que tem o apoio de oito republicanos e oito democratas, surgiu de um grupo centrista denominado "coalizão do senso comum". "Nosso projeto de lei destaca o compromisso amplo e bipartidário para criar um caminho para a cidadania dos dreamers, enquanto se fortalece a segurança na fronteira para ajudar a deter o fluxo de imigrantes ilegais", afirmou a senadora Susan Collins, republicana que fundou a coalizão.

O plano de Trump, apresentado pelo senador republicano Chuck Grassley, protege os "dreamers" e destina recursos para a construção de um muro na fronteira com o México, mas também acaba com a loteria de vistos de residência e restringe a reunificação familiar.

O projeto bipartidário faz mudanças limitadas à reunificação familiar e não afeta a loteria de vistos, dois temas "politicamente tóxicos", segundo o senador republicano Lindsey Graham. Ele disse que há um "crescente consenso" ao redor do projeto bipartidário. "Acredito que é o que tem a melhor chance de obter os 60 votos."

Pressões

Mas apoiar a iniciativa bipartidária colocaria os congressistas republicanos contra o presidente, que exigiu que seu partido não aceite qualquer projeto diferente do seu. "Peço a todos os senadores, dos dois partidos, para apoiar o projeto Grassley e se opor a toda legislação que não mencione os quatro pilares", afirmou Trump em comunicado.

A decisão levou a um impasse no Senado e muitos especularam sobre a possibilidade de cumprir o prazo imposto de sexta-feira. Além disso, mesmo no caso de aprovação da iniciativa bipartidária pelo Senado e depois pela Câmara dos Deputados, o projeto não tem chance de ser promulgado pelo presidente.

Os congressistas tentam há meses estabelecer um acordo para um projeto de reforma que se aproxime dos desejos de Trump, mas que assegure um futuro para os 1,8 milhão de jovens que foram levados ilegalmente ao território americano quando ainda eram crianças.

Quase 690 mil deles estão protegidos desde 2012 por um estatuto temporário, o decreto Daca (Ação Diferida para Chegadas de Crianças) de Barack Obama. Os outros não se beneficiam do programa, mas podem ser incluídos nele. Trump cancelou o Daca em setembro de 2017 e deu ao Congresso o prazo até o dia 5 de março para um acordo definitivo sobre o destino de seus beneficiários.

"Se no fim da semana não conseguirmos um projeto que possa ser aprovado, a responsabilidade recairá totalmente sobre o presidente e seus aliados", advertiu o líder da minoria democrata, Chuck Schumer. "Os americanos sabem que este presidente não apenas criou o problema, mas que também parece estar contra qualquer solução que não seja 100% o que ele quer", completou. / AFP

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